Carla & Leonel

Carla & Leonel

Caminho Português de Santiago – Amar e Celebrar

Corria o ano de 2023. Nesta viagem que dá pelo nome de Vida, comemorámos 20 anos de relação.  Sabíamos que o momento pedia uma celebração muito especial. Algo diferente que refletisse o caminho que já fizemos juntos.

Percorrer o Caminho de Santiago era um desejo antigo que começava a fazer sentido ver realizado. Que bela forma tínhamos encontrado para celebrar a nossa união. Sempre procuramos fugir do formato standard da existência humana.

Colocamos as mochilas às costas e saímos em busca do diferente. Este é o nosso registo.

Eram seis da manhã, as estrelas ainda preenchiam o céu escuro. O orvalho pairava sobre os jardins de Valença. Entusiasmados, descemos a ladeira que nos conduziu para o exterior das muralhas. Atravessámos a ponte internacional sobre o rio Minho e, num instante, estávamos em Espanha.

Tínhamos começado o Caminho Português de Santiago, também conhecido por Caminho Central Português, um dos muitos caminhos que levam os peregrinos até ao Apóstolo Santiago desde Lisboa, da Igreja de Santiago e da Sé Catedral, até à praça do Obradoiro em Santiago de Compostela com uma distância de 625 km.

Muitas pessoas optam por começar o Caminho em Valença ou no Porto por causa da escassez de Albergues de Peregrinos Municipais na maior parte do percurso entre Lisboa e Porto. Foi o que fizemos.

Quem parte em direção a Santiago leva consigo objetivos. Um deles é a obtenção da Compostela, um certificado que apenas é concedido a quem cumpra pelo menos os últimos 100 km a pé, ou 200 km de bicicleta ou cavalo. Para isso, é necessário possuir a Credencial do Peregrino e carimbá-la no mínimo duas vezes por dia ao longo do Caminho nos albergues ou estabelecimentos comerciais.

O percurso está dotado de excelentes infraestruturas de apoio ao peregrino, contando com albergues municipais e privados, cafés e restaurantes, supermercados ou mercearias.

Pelo meio, fomos inundados de paisagens, as belas paisagens da Galiza, pessoas, locais muitos peregrinos, gastronomia e excelente hospitalidade. Mais do que um caminho físico, o Caminho de Santiago é um Caminho Espiritual que quisemos percorrer, que quisemos sentir e, no futuro, recordar que assinalou um marco importante no nosso Caminho.

 

Dia 1 – Valença do Minho a O Porriño (21,5 km)

O dia começou com a travessia da Ponte Internacional sobre o Rio Minho. Em pouco tempo já estávamos na Galiza a percorrer o centro histórico da cidade de Tui, onde destacámos a Catedral de Santa Maria, o Convento de Las Clarisas e a igreja gótica de Santo Domingo.

Após sair de Tui, o Caminho levou-nos por entre bosques, os quais foram alternando com áreas pedonais junto à estrada. Mais à frente, deparámo-nos com a histórica Ponte das Febres onde São Telmo faleceu em 1251 quando peregrinava a Santiago de Compostela.

A magia do Caminho começava a evidenciar-se a cada passo que dávamos. A sensação de estar a ter uma experiência diferente, mas ao mesmo tempo tão gratificante alegrava o nosso dia.

Os quilómetros sucediam-se e, com isso, tínhamos chegado a Porriño onde terminou a primeira etapa. Procurámos o albergue para descansar um pouco as pernas, mas pouco depois o entusiasmo levou-nos a explorar o local onde estávamos.

Fazer o Caminho de Santigo também é isto, é saborear os locais. Foi o que fizemos. Aproveitámos para visitar a igreja de Santa Maria e admirar a vistosa fachada do Ayuntamiento (Câmara Municipal).

 

Informação Útil

Para Comer: Restaurante Paso Nível (junto à estação de caminho de ferro)

Para Dormir: Albergue de Peregrinos O Porriño (8€/ pessoa)

Obs: Antes, para chegar a Porrinõ era necessário atravessar o polígono industrial de As Gándaras. Atualmente, existe um troço alternativo junto à margem do rio Louro, é só seguir as indicações.

 

Dia 2 – O Porriño a Redondela (16 km)

O dia amanheceu muito cedo. De novo no Caminho, começamos a fazer a segunda etapa, uma das mais curtas do Caminho Português de Santiago. As dificuldades estão, sobretudo, na subida entre o albergue de Mos e a Capela de Santiaguiño e nas descidas íngremes após Casal do Monte.

Muitos dos quilómetros foram feitos em alcatrão, mas ainda assim contou com um troço florestal muito agradável entre Vilar de Infesta e o Casal do Monte. A passagem pela localidade de Mos também nos agradou bastante.

A chuva deu o ar da sua graça, no entanto, nada que nos incomodasse, gostamos de diversidade. Com a manhã a encaminhar-se para o final, chegamos a Redondela, uma cidade com vários pontos de interesse.

Mais uma vez, detivemo-nos por algumas horas a descansar no albergue e, no final, do dia passeamos pelo centro.

 

Informação Útil

Para Dormir: Albergue de Peregrinos Casa da Torre (8€/ pessoa)

 

Etapa 3 – de Redondela a Pontevedra (18 km)

Foi no romper da aurora que começamos mais uma etapa do Caminho. Considerada por muitos como uma das mais bonitas etapas do Caminho Português de Santiago, o percurso é feito por terra batida e pelo meio de bosques e serrados. A passagem pela ria de Vigo constitui o ponto alto do trajeto.

Trata-se de uma etapa exigente fisicamente, com uma subida no lugar de Tuimil e outra a seguir à Ponte Sampaio por causa do piso irregular, com muitas pedras soltas.

A chegada a Pontevedra, referenciada como a capital do Caminho Português de Santiago em terras galegas, é marcada pelo Santuário da Virgem Peregrina construído em formato de vieira, a animada Plaza de Ferréria e o Convento de São Francisco.

Com mais uma etapa concluída, a rotina fez-se sempre da mesma forma. Descansar um pouco as pernas que, ao terceiro dia dão sinais de cansaço e, no final do dia, aproveitar para conhecer os locais.

 

Informação Útil

Para Dormir: Albergue de Peregrinos Virgen Peregrina (8€/ pessoa)

 

Etapa 4 – Pontevedra a Caldas de Reis (23 km)

A azáfama normal de um albergue de peregrinos, normalmente, dita as horas para levantar e dar início a mais uma etapa. Em Pontevedra não foi exceção e, mal demos por ela, já estávamos a atravessar a zona urbana de Pontevedra.

Daqui para frente começaram a suceder as verdejantes paisagens rurais da Galiza, onde nunca faltam os cintilantes riachos. Neste trajeto merecem destaque o trecho entre a paróquia de Cerponzons e San Mamede da Portela.

A etapa não possui grandes desníveis, mas em contraponto há mais quilómetros em alcatrão para fazer, nomeadamente, a sempre movimentada, estrada nacional N-550.

O trajeto termina na linda cidade termal de Caldas de Reis.

Neste dia, decidimos pernoitar um albergue privado pois estávamos a precisar de algumas comodidades extra, sobretudo, uma noite melhor dormida no silêncio de um espaço mais restrito.

A passagem por Caldas de Reis apenas fica completa depois de uma visita à sua Catedral, um pequeno passeio pelas margens do rio Umia e repousar os pés nas quentes águas termais da fonte de Las Burgas.

 

Informação Útil

Para Comer: Restaurante Vintecatro (Almoço no Caminho a chegar a Caldas de Reis)

Para Dormir: Albergue Celenis (24€/ pessoa com Pequeno-almoço)

 

Etapa 5 – Caldas de Reis a Padrón (18,5 km)

Mais um dia, mais uma etapa. Saímos de Caldas de Reis e seguimos em direção ao Monte Albor. Os desníveis são ligeiros e encontram-se, sobretudo, no início da etapa.

O trajeto terminou em Padrón, cidade internacionalmente conhecida pelos pimentos Padrón, e uma das mais importantes no que diz respeito à tradição jacobea. Segundo a lenda, foi em Padrón que aportou a barca que transportou os restos mortais do Apóstolo Santiago desde Jaffa, no Médio Oriente, onde foi decapitado, até à Península Ibérica no ano de 44.

A pedra, ou padrão, a que foi presa a barca está colocada por baixo do Altar da Igreja de Santiago de Padrón, ponto de paragem obrigatório para todos os peregrinos do Caminho Português de Santiago.

O final do dia foi preenchido a explorar a localidade. Procuramos pelos afamados pimentos num dos muitos restaurantes da localidade, mas ainda não era a época deles. Uma Paella foi a alternativa que encontramos para satisfazer a nossa vontade pela gastronomia local.

 

Informação Útil

Para Comer: Restaurante O Santiaguiño

Para Dormir: Albergue de Peregrinos de Padrón (8€/ pessoa)

 

Etapa 6 – Padrón a Santiago de Compostela (25 km)

Finalmente tinha chegado o tão aguardado dia. Apenas 25 km nos separavam da Praça do Obradoiro e da Catedral de Santiago de Compostela.

Com as mochilas colocadas nas costas, preparamo-nos para a última etapa, uma etapa que sabíamos de antemão ser exigente, pois é a de maior desnível do Caminho Português de Santiago por terras galegas.

Entre o Albergue de Teo e o Agro dos Monteiros, o Monte do Gozo do Caminho Português de Santiago foram 8 km quase sempre a subir e um desnível de 200 metros. No entanto, o cume do monte permitiu pela primeira vez avistar as torres da Catedral.

Daqui até à Catedral de Santiago foram cerca de 6,5 km que percorremos num misto de emoções.  Por um lado, estávamos desejosos de chegar a Santiago de Compostela, por outro não queríamos que terminasse o Caminho.

Foi no seio deste estado emocional e muito cansaço que, sem darmos conta, já percorríamos a movimentada rúa do Franco repleta de pessoas, lojas de recordações, restaurantes e bares.

Um pouco mais a frente, surgiu-nos, então, a tão aguardada Praça do Obradoiro, onde inevitavelmente as emoções deram lugar ao choro, mas ao mesmo tempo, a um sentimento de felicidade. Faltava, apenas, a Compostela e o agradecimento interior pelo Caminho e pelos 20 anos de união.

No final, o Caminho acaba com a chegada ao Obradoiro, mas nunca acaba no nosso interior.

Seguimos juntos no Caminho!

 

Informação Útil

Para Dormir: Albergue The Last Stamp (22€/ pessoa)

 

Mais Informações >

Share this post

Sobre

Olá, somos a Carla, o Leonel, a Sofia, a Francisca, e adorámos partir à descoberta do mundo juntos!

Aqui, partilhámos os vários destinos que já visitamos, os hotéis onde ficamos hospedados e os restaurantes que experimentámos. Queremos inspirar quem nos visita, a viajar e a experimentar, pois consideramos que a vida é uma soma de experiências e uma constante procura. Nesta procura, buscamos locais, espaços, gastronomia, cultura, pessoas e, acima de tudo, a felicidade que é poder conhecer, valorizar e preservar o mundo maravilhoso que temos.

Artigos Recentes

Like Us on Facebook

Follow us on Instagram