Carla Ferreira

Carla Ferreira

Casa de Mateus – Vila Real

#Continuandoàprocura dos magníficos exemplares da arte Barroca em Portugal, em fevereiro de 2020, estivemos em Vila Real para conhecer a Casa de Mateus, um palácio fabuloso com um espaço envolvente soberbo.

A Casa de Mateus foi construída na primeira metade do século XVIII a mando do 3º Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão, tendo sido sempre administrada pela família Sousa Botelho. Crê-se que o projeto deste palácio esteja atribuído ao arquiteto Nicolau Nasoni. O espaço é constituído pela Casa principal, pelos jardins, a Adega e uma Capela.

A Casa de Mateus é propriedade da Fundação da Casa de Mateus, que tem desenvolvido uma grande atividade cultural, nomeadamente nas áreas da música, da literatura e das artes plásticas, organizando festivais, cursos, seminários e exposições.
No interior da Casa ressaltam os tetos em madeira, ricamente trabalhada, o mobiliário de diferentes épocas, as pinturas dos séculos XVI e XVIII, os objetos de prata, as cerâmicas. O destaque vai para uma biblioteca com 6000 volumes, onde se encontra a célebre edição ilustrada dos Lusíadas de Luís de Camões de 1816. Nas restantes divisões da casa, poderão ser vistas inúmeras peças de mobiliário, tapetes, loiças, vestes e relíquias.

O edifício da Casa de Mateus é considerado um dos monumentos mais representativos do Barroco no Norte de Portugal e um dos mais característicos da Europa, tendo sido classificado como monumento nacional em 1910.

O traço da arquitetura barroca, na aplicação dos pináculos decorativos sobre os telhados e o equilíbrio da decoração das diferentes fachadas da Casa é atribuído ao arquiteto italiano Nicolau Nasoni. Esta casa veio substituir um antigo edifício já existente neste mesmo local desde o séc. XVII. Segundo consta, já desde 1577 que havia pessoas da família a residir neste espaço.

A Fundação da Casa de Mateus foi instituída em 1970 por D. Francisco de Sousa Botelho Albuquerque. Os seus estatutos definem como objetivos a conservação, o restauro e melhoramento da Casa de Mateus, o estudo, o catalogação e divulgação do seu arquivo e ainda a promoção de eventos culturais, científicos e pedagógicos que venham a ser definidas pela sua Direção.

 

Para Ver

Salão de Entrada

Esta sala possui um teto de madeira com as armas do construtor da casa, as mesmas que se encontram no lugar cimeiro ao centro da fachada da Casa.
Francisco de Albuquerque, com base num reposteiro original com as armas dos Sousas, mandou fazer os outros três, cujos brasões representam os ramos Botelho, Melo e Albuquerque, assim como os bancos que ladeiam a sala, desenhados por Paulo Bensliman.

 

Salas de Mateus d’Allém

Salas localizadas no lado poente da mesma ala, onde o 3º Conde de Vila Real instalou quatro quartos servidos pelo corredor proveniente da sala da Biblioteca. Mais tarde, o seu neto D. Francisco, interveio nesta ala conferindo-lhe maior conforto e funcionalidade. O último quarto deste corredor conserva o teto original.

Entre os móveis dos quartos destaca-se, no segundo, um leito de cabeceira recortada e entalhada com um feixe de plumas no remate do período de D. José I.

O primeiro quarto mostra um leito de pendor neoclássico, de perfis retos e com a sobriedade decorativa que substituiu as formas e a decoração entalhada dos ciclos artísticos anteriores.

Estes aposentos conservam ainda no local de origem os armários encastrados, um deles em pau-santo com as frentes decoradas com molduras de tremidos.

A escolha dos quadros que decoram estes espaços obedece às prescrições da época que previam a pintura de temática religiosa.

 

Sala do Tijolo

A Sala do Tijolo, a Sul do Salão de Entrada, é dominada pelos retratos de D. João V e D. Maria Ana de Áustria e uma série alegórica das quatro estações executada por um pintor arcimboldesco do século XVII.

Aqui predomina a existência de um ambiente de riqueza e de conforto decorado com um jogo de panos de armar, preenchidos com episódios bíblicos em torno de David, Nabucodonosor e Eliseu, e com reposteiros em brocatel amarelo e vermelho, com franja de seda que forravam as cinco portadas.

Atualmente, a sala acolhe um consistente conjunto de contadores, executados em vinhático, sissó e pau-santo, onde é possível observar as caraterísticas do chamado “estilo português” que se distingue pela decoração de tremidos e pelos torneados com fortes estrangulamentos.

No centro da sala, sobre uma mesa de trempe em sissó, torneada por um marceneiro de qualidade, está um admirável prato hispano-árabe, em faiança com decoração de reflexos cobreados, produzido nas olarias de Manises.

 

Sala da Loiça Azul

Nesta Sala, antigo escritório, veem-se os retratos da Família em óleos, gravuras, aguarelas e fotografias de época.

Os móveis que decoram esta sala são um piano de mesa dos finais do século XIX, um contador japonês lacado, com decoração relevada a ouro e interior das gavetas em makié, datável do primeiro quartel da mesma centúria, e um armário-copeiro de produção nacional, onde se exibe parte de um vasto serviço de mesa em porcelana chinesa, com decoração dita de “Cantão”.

A qualidade e o número de peças de porcelana de importação são impressionantes.

 

Sala de Jantar

Em circunstâncias especiais esta sala é ainda utilizada. Aqui encontra-se um imponente armário em vinhático e pau-santo maciço, com as frentes das portas e das gavetas preenchidas com decoração de tremidos. Apresenta uma ordem inferior de seis gavetas, simulando catorze, e no corpo superior duas meias portas e três prateleiras onde atualmente se expõem algumas peças da baixela de prata dos séculos XVIII e XIX.

Da prataria rococó, o destaque vai para um bule de produção inglesa densamente decorado com motivos concheados, pagodes e volutas.

O tema da Natureza morta está representado nas várias telas de Jan Fyt, Frans e Peter Sneyders.

 

Sala Rica

A designada Sala de Visitas, reúne um excecional conjunto de móveis de importação, provenientes de distintos horizontes culturais. O painel em madeira de teca com decoração de placas de tartaruga e madrepérola, oriundo do Norte da Índia, é uma das peças mais significativas do recheio da Casa, bem como o contador indo-português.

A decoração com embutidos de ébano e marfim, sobre a estrutura de teca, forma um denso e minucioso padrão vegetalista onde não faltam representações de tigres.

A produção inglesa está representada por um conjunto de armário e relógio de caixa alta em carvalho com decoração floral marchetada em cinco tons de madeiras exóticas. A sala rica contempla ainda um armário-oratório português, decorado com pintura acharoada de vermelho e motivos dourados.

 

Biblioteca

Símbolo da dedicação às letras e à aquisição do conhecimento que foi apanágio dos sucessivos representantes da Casa de Mateus.

Nesta sala, que ocupa o lugar central da ala norte da Casa, com mais de seis mil volumes, dos quais 459 constituem o núcleo de livro antigo. Neste local, é possível consultar-se obras de teor religioso, histórico e jurídico, desde os Clássicos aos Modernos.

A partir de 2001, foi alvo de tratamento descritivo e de restauro tendo sido construída uma base de dados contendo 6087 fichas bibliográficas.

O espaço é também dedicado a D. José Maria do Carmo de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, conhecido nos salões literários por Morgado de Mateus, e à sua famosa edição d’Os Lusíadas dada à estampa em 1817, sendo possível contemplar as provas tipográficas, as chapas originais em cobre e demais documentos relativos à edição.

 

Sala de Arte Sacra e Sala dos Paramentos

Estas salas acolhem um acervo importante de obras de arte sacra, representativo da sensibilidade religiosa dos membros da família, através da aquisição de alfaias de prata, paramentos e imagens de devoção, e uma muito significativa coleção de relíquias, das quais se destaca uma série de relicários de prata em forma de ostensório, executada por um ourives de Roma.

As peças mais relevantes no Museu representam um testemunho da quantidade e diversidade de esculturas que a Casa dedicou à Virgem.

Entre as peças de maior mérito estão as imagens de Nossa Senhora da Conceição, em marfim, de oficina indo-portuguesa, e as de Santa Ana ensinando a Virgem a ler, que foi uma das devoções que D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, 4º Morgado de Mateus, mais privilegiou.

O Museu acolhe ainda um magnífico Cristo moribundo, cíngalo-português, e uma das peças mais notáveis do acervo da Casa: um baixo-relevo alemão, da escola de Nuremberga, do século XVI, lavrado em mármore de Solhnofen com a representação da Descida da Cruz.

Na segunda sala estão concentrados os paramentos e as alfaias mais significativas, colocadas pelas diferentes gerações da Casa ao serviço da Capela, que, nos dias mais solenes, se rodeava de uma grande intensidade cénica e emocional.

No ano de 2004 a Fundação reabilitou no piso térreo a ‘Casa das Batatas’ e a ‘Frasqueira’, para instalar um núcleo de exposição dedicado a D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, Governador e Capitão-General de São Paulo entre 1765 e 1775.

Nesta sala, exibem-se alguns dos objetos usados nas atividades equestres e em festividades de corte.

Estes adornos equestres sugerem uma ligação às Cavalariças, situadas junto a este espaço expositivo, no eixo central de atravessamento da Casa, sob o Salão de Entrada.

 

Garagem – D. Francisco de Sousa Botelho e Albuquerque (1909-1973)

Em 2009, por ocasião da entrega solene do Prémio “D. Dinis”, foi inaugurada uma exposição dedicada a D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque, 6.º conde de Vila Real, 5.º de Melo e 3.º de Mangualde, instituidor da Fundação da Casa de Mateus.

O seu amor por Mateus levou-o a empreender, a partir dos anos cinquenta, um ciclo de grandes transformações na Casa, tanto no seu interior como no exterior, que culminou com a instituição da Fundação em 1970, no sentido de preservar e de partilhar com a comunidade o património familiar acumulado ao longo de mais de quatro séculos.

 

Capela

   

A construção da nova Capela foi iniciada por António José Botelho Mourão, substituindo a antiga datada de 1641, muito embora só tenha sido inaugurada por seu filho D. Luís António em 1759.
A frente da Capela é paralela à fachada principal da Casa e recua para o plano da sua fachada posterior, criando espaço para o Terreiro, que com o seu Cruzeiro separa a Casa da Adega.

A capela exibe uma coleção de relíquias em honra de Nossa Senhora dos Prazeres e é ricamente ornamentada, com linhas de influência nasoniana e autoria de Mestre José Álvares do Rego, a altura da fachada retoma a altura da fachada principal da Casa.

A nova sacristia passou a ostentar o teto e o altar-mor da primitiva capela.

 

Jardins

   

Nos anos trinta do século XX, a Condessa de Mangualde manda plantar os jardins a sul da Casa com desenho de Gomes de Amorim.

Com um consistente projeto de Gonçalo Ribeiro Teles, nas décadas de cinquenta e sessenta, D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque altera totalmente toda a área que enquadra a fachada principal da Casa. Cria uma nova entrada, que num traço muito conseguido de desenho construído e vegetal, concebe a surpresa e o encantamento que constitui a aproximação à Casa, com a vista do alinhamento da sua perspetiva central.

O Lago, um espelho de água construído nos anos cinquenta, prolonga o conjunto edificado, que nele se reflete reproduzindo a imagem da fachada principal.

 

O Vinhos

O vinho rosado criadas na década de 1940, sob inspiração dos cantis militares, não é feito aqui. O nome e imagem foram comprados pela Sogrape, as uvas vêm de outros locais. Em Mateus resta a inspiração, uma história para contar e o novo impulso para a produção de um rosé da casta Alvarelhão com os métodos tradicionais.

Mateus pode ser sinónimo de vinho para muita gente, mas é, acima de tudo, uma fundação privada, criada para proteger e divulgar o património histórico da casa e para fomentar a atividade cultural.

 

Horário

Todos os dias das 9h às 17h.

(fecha ao público no dia 25 de Dezembro)

 

Modalidades de visita

Opção 1 – Visita guiada ao interior da Casa, Capela e visita livre aos Jardins

(Duração média da visita ao interior da Casa e Capela: 40 minutos)

Preço: 13€

Crianças até aos 6 anos têm entrada gratuita, desde que acompanhadas pelos pais.

Escolas (com marcação prévia) e crianças até aos 12 anos: 6,50€

 

Opção 2 – Visita livre aos Jardins.

Preço: 9.50€

Crianças até aos 6 anos têm entrada gratuita, desde que acompanhadas pelos pais.

Escolas (com marcação prévia) e crianças até aos 12 anos: 4.75€

Extras

Estacionamento auto: 9.50€

Notas

Em qualquer modalidade de visita é possível acrescentar a visita à adega da Casa de Mateus com uma prova de vinhos. Mais informação, após consulta através do seguinte e-mail: visitas@casademateus.pt

Sugere-se que efetue uma reserva prévia.

As visitas guiadas ao interior da Casa são efetuadas por guias próprias e em grupos não superiores a 10 pessoas.

Há visitas guiadas em Português, Espanhol, Francês, Inglês e Alemão. Por forma a garantir a visita guiada no idioma desejado sugerimos a reserva prévia.

 

Morada

Largo Morgados de Mateus

Vila Real

Telef. 259 323 121

Mais Informações >

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Sobre

Olá, o meu nome é Carla Ferreira. Vivo em Viseu com a minha família, o marido Leonel e as filhas Sofia e Francisca.

Somos apaixonados pelo mundo, pela Natureza, pelas pessoas, culturas e tradições. Somos inquietos, sempre com uma vontade enorme de explorar mais e mais, de estar constantemente à procura. Privilegiamos muito o conhecimento, a valorização, a preservação e a sustentabilidade do planeta Terra. 

Explorar o mundo e partilhá-lo com as pessoas são das coisas que mais gostamos de fazer.

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