Carla & Leonel

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Concelho de Bragança

Foi no mês de dezembro, sem pensar muito no frio que por ali se fazia naquela época do ano, que nos atirámos para o concelho de Bragança à descoberta dos seus recantos e encantos.

Bragança é cidade, capital de distrito, da região do Nordeste Transmontano. As suas origens são muito antigas, prova disso é que ainda mantém um núcleo urbano medieval dentro das muralhas. Fora das muralhas, a cidade expandiu-se, conservando algumas casas nobres e monumentos de grande interesse.

O concelho foi crucial na defesa da fronteira portuguesa, carregando um legado histórico de grande relevância na constituição da nacionalidade. Desde 1187 que a sua importância estratégica é reconhecida por vários monarcas portugueses e em 1464 foi elevada à categoria de cidade.

Bragança integra ainda a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica reconhecida pela UNESCO, beneficiando dum património natural de grande beleza e diversidade.

Sob o slogan “Bragança Naturalmente”, este é um concelho que pertence a uma das mais remotas regiões de Portugal, mas que em muito enaltece a designação que lhe foi atribuída. Ali, o homem vive numa simbiose quase perfeita com a Natureza.

Todas as épocas são boas para visitar o concelho, depende dos interesses de cada pessoa. A região tira partido do tão afamado ditado popular “nove meses de inverno e três de inferno”. No inverno o concelho tira proveito do frio prolongado, com mantos de neve de grande beleza. No verão, há o calor imenso, para refrescantes mergulhos nas ribeiras. No final da primavera ou início do outono as temperaturas são mais amenas. A primavera traz os montes pintados de esteva, giesta, carqueja, urze e amendoeiras em flor. O outono traz uma paisagem revestida de tons quentes e vibrantes, e lindos tapetes de folhagem colorida.

 

Para Ver (Cidade de Bragança)

Centro histórico de Bragança 

As muralhas do Castelo de Bragança, que vistas do ar, formam um coração, abraçam a Cidadela, o burgo mais antigo ainda vivo, que se localiza no seu interior.

Entramos na cidadela ou praça de armas pela Porta da Vila, e logo deparamos com o Pelourinho. Chegamos ao largo do castelo, um dos mais belos e bem preservados castelos de Portugal com deslumbrantes janelas góticas.

Visitamos a Torre de Menagem quatrocentista, em alvenaria de xisto, que alberga, atualmente, o Museu Militar de Bragança. Subimos à Torre da Princesa para observar as vistas deslumbrantes sobre a cidade de Bragança e os seus arredores.     

Na cidadela visitamos ainda a românica Igreja de Santa Maria, a Domus Municipalis, exemplar único de arquitetura civil românica pentagonal existente em Portugal, onde se reunia o senado da cidade, e o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, um dos museus mais interessantes de Bragança com uma coleção de máscaras e trajes dos tradicionais Caretos.

Fora das muralhas, há também para descobrir o Jardim do Castelo, a Fonte da Rainha, Capela de Nossa Senhora da Saúde, a Igreja de São Bento, e a fachada maneirista do Convento e Igreja de São Francisco.

 

Rua dos Museus

A Rua dos Museus, encontra-se oficialmente na Rua Abílio Beça. Em apenas alguns metros encontramos cinco museus que merecem uma visita:

  • Museu do Abade de Baçal que reúne, no antigo Paço Episcopal, conta com acervo arqueológico, etnográfico e religioso, que retrata os períodos históricos e os aspetos culturais mais importantes da região brigantina.
  • Centro de Arte Contemporânea Graça Morais que expõe obras da artista transmontana Graça Morais e exposições temporárias de outros artistas plásticos.
  • Centro de Fotografia Georges Dussaud
  • Memorial e Centro de Documentação Bragança Sefardita
  • Centro de Interpretação da Cultura Sefardita do Nordeste Transmontano

Nesta rua, há também para visitar a Igreja de São Vicente, palco do casamento secreto do Rei Dom Pedro com Dona Inês de Castro, a Igreja da Misericórdia e a Igreja de Santa Clara no antigo convento onde é venerada a Senhora das Graças, padroeira de Bragança.

 

Praça da Sé   

Ali, muitos são os pontos de interesse. A começar pela Sé Velha de Bragança que data do século XVI, o conjunto arquitetónico do convento que foi recuperado em 2004 pelo município, para instalar o Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, a Biblioteca Municipal, a Biblioteca Adriano Moreira, a Academia de Letras de Trás-os-Montes, o Conservatório de Música, salas de exposições e espaço de memória da Cidade. O acesso à maioria destes espaços culturais faz-se pela Praça Camões.

 

Outros Pontos de Interesse na Cidade

As ruas e ruelas da cidade também merecem uma passagem para apreciarmos os detalhes das fachadas dos prédios antigos, o Corredor Verde, passadiços que ladeiam o Rio Fervença, o Centro de Ciência Viva de Bragança, a Casa da Seda, o Miradouro da Capela de Nossa Senhora da Piedade, entre outros, não esquecendo os apontamentos de street art espalhados pela cidade, de Bordalo II, de Lucky Hell, Duarte Saraiva ou TripDTOS.

 

Para Ver (Concelho de Bragança)

Parque Natural do Montesinho 

A majestosa mancha verde do Parque Natural de Montesinho fica às portas de Bragança. Ali, mora uma significativa franja da fauna terrestre de Portugal, no qual se destaca o Lobo Ibérico e o Veado Vermelho, bem como da fauna, evidenciando-se os carvalhos, os sobrais e grandiosos soutos de castanheiro.

Este cenário de rara beleza completa-se com as idílicas cascatas e praias fluviais e os imensos trilhos disponíveis para longas caminhadas.

 

Montesinho

Aldeia serrana construída essencialmente por xisto, cheia de cor, muito florida e muito pitoresca, “perdida” na imensidão do Parque Natural de Montesinho. Com um potencial turístico notável, foi revitalizada e, muitas das casas, foram reconvertidas em unidades de alojamento de Turismo Rural.

 

Varge 

A aldeia de Varge é uma das aldeias mais tradicionais de Trás-os-Montes e está situada num cenário natural deslumbrante, no qual as antigas casas em pedra se parecem encaixar naturalmente, e até as edificações mais recentes se parecem adequar. É atravessada por um ribeiro e está preenchida de apontamentos que remetem para a sua tradicional e conhecida Festa dos Rapazes, palco de uma das formas de Caretos mais notáveis da região transmontana. Aliás, por toda a aldeia respira-se esta tradição.

 

Rio de Onor

Vencedoras do programa 7 Maravilhas de Portugal, na categoria de Aldeias em Áreas Protegidas, e para além da beleza que lhe é inerente, trata-se de uma aldeia comunitária que se estende pelos dois lados da fronteira. Do lado espanhol, Rihonor de Castilla, do lado português, Rio de Onor. Fronteiras físicas à parte, na realidade, é como se elas não existissem.

Assim o sente a população que lá vive, meia centena de portugueses e espanhóis que mantém vivo o verdadeiro espírito de vida comunitária como se de uma única família se tratasse.

Vagueamos pelas ruas da aldeia, atravessamos as pontes, conhecemos a antiga Casa do Touro agora transformada num museu, contemplamos as floridas varandas do casario típico em xisto e apreciamos o ritmo lento de vida que por ali se respira.

 

Guadramil 

Mais uma aldeia comunitária muito próxima da fronteira com Espanha onde, no passado, os habitantes repartiam o moinho, o rebanho e muitas tarefas agrícolas.

Atualmente, é habitada por poucas pessoas, a maioria muito idosas, e muitas das casas estão ao abandono. É o cenário de uma aldeia antiga autêntica e que evidencia uma outra realidade e um outro modo de vida.

 

Quintanilha  

A localidade fica localizada nos vales superiores do Maçãs e do Angueira, uma cadeia montanhosa e acidentada, sendo esta área raiana caracterizada por uma paisagem agreste, também conhecida por ser uma das principais fronteiras com Espanha.  

Possui alguns pontos de interesse como, o Santuário da Senhora da Ribeira, o Parque de lazer com praia fluvial no rio Maçãs, a Ponte internacional sobre o rio Maçãs, a Igreja Paroquial de Réfega, a Igreja da Aldeia das Veigas, a Igreja de São Vicente, incluindo todo o seu recheio, nomeadamente pinturas murais, o Miradouro do Barrocal e o Miradouro da Petada.

 

 Gimonde

Para além do encanto rural e pitoresco da aldeia, esta é também conhecida pelos seus dotes gastronómicos, como a Posta Mirandesa e a qualidade dos produtos de fumeiro de Porco Bísaro. Por ali, demos um longo passeio para contemplar as casas típicas em xisto, a igreja, os rios que a atravessam, o Rio Igrejas e o Rio Sabor, as pontes, a de xisto e a ponte nova de granito, sem esquecer as poldras.

 

Mosteiro de Castro de Avelãs

Mosteiro localizado a cerca de 5Km de Bragança, possui uma igreja em alvenaria de tijolo, provavelmente anterior ao século XII, e se calhar o único exemplar de arquitetura românica mudéjar de Portugal.

 

Outeiro

Esta aldeia possui um dos maiores tesouros da arquitetura religiosa de Portugal, a única basílica aldeã de Portugal, a Basílica do Santo Cristo do Outeiro, para além dos vestígios do Castelo do Outeiro, como uma coroa imperfeita no cimo do monte.

 

Festividades

Festas de Bragança (agosto): Festas da cidade dedicadas à padroeira, Nossa Senhora das Graças, culminando no feriado municipal de 22 de agosto.

De 25 de Dezembro ao Dia de Reis: Desde o dia de Santo Estevão ao Dia de Reis acontecem as Festas dos Rapazes, quando os Caretos saem à rua. Cada aldeia tem as suas tradições ancestrais para celebrar o solstício de inverno.

Queima do Diabo (Carnaval):  No sábado antes do dia de Carnaval, as ruas da cidade enchem-se de Caretos vindos das aldeias vizinhas, e até de Léon e de Zamora. Envergando os seus trajes tradicionais e revivendo costumes antigos, chocalham e brincam pelas ruas até ao Castelo de Bragança onde o dia culmina com a Queima do Diabo. Nos dias seguintes, até à Quarta-Feira de Cinzas, é ir vê-los às respetivas aldeias.

Novembro: Existem inúmeros mercados e feiras, rotas mitológicas, festas e magustos em que a castanha é o produto ex-libris da região.

 

Para Comer   

Terra de fumeiro e de castanhas, por ali, há um sem número de iguarias que, por si só, já merecem uma deslocação a Bragança. Numa panóplia de sabores, destacámos os que se seguem:

  • Fumeiro (alheiras, chouriças, presuntos);
  • Butelo (enchido recheado com os pequenos ossos do espinhaço e costela de porco bísaro, ainda com alguma carne) acompanhado por casulas (cascas de feijão secas);
  • Cogumelos e castanhas;
  • Posta de vitela à mirandesa;
  • Porco Bísaro;
  • Feijoada transmontana;
  • Javali e outros pratos de caça;
  • Pudim e doces de castanha;
  • Tarte de grão de bico;
  • Mel de castanheiro.

 

Restaurante D. Roberto 

Em pleno Parque Natural de Montesinho, bem próximo de Bragança, mais concretamente na afamada aldeia de Gimonde existe um restaurante que nos remete para uma típica casa transmontana. Com uma forte presença na aldeia, o Restaurante D. Roberto existe, em Gimonde, desde 1935 e muita história para contar.

A carta do restaurante D. Roberto é uma honra às iguarias típicas de Trás-os-Montes, algumas das quais até já receberam várias distinções nacionais.    

Foi neste espaço de tradição e regionalidade que nos sentamos para degustar sabores típicos de uma das regiões mais frias de Portugal.

Mais Informações >

 

Para Ficar

 Bétula Studios 

Lagomar, Bétula Studios, são nomes que criam logo à partida grande expectativa.

Num terreno contíguo à casa da família, Ana e António construíram os Bétula Studios, quatro bungallows de traça moderna, perfeitamente encaixados na paisagem que tira partido da excelente orientação solar e da vista privilegiada para o prado e para o carvalhal implantado na encosta. 

Os estúdios possuem os nomes das quatro estações do ano e a decoração remete para apontamentos decorativos diferenciadores. O espaço é composto por um quarto, uma casa de banho, uma sala com Kitechenette e sofá que se converte em cama permitindo alojar, por exemplo, crianças.  Os materiais de construção e decoração são de baixo impacto ambiental, evidenciando-se a cortiça e o bambu.

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Sobre

Olá, somos a Carla, o Leonel, a Sofia, a Francisca, e adorámos partir à descoberta do mundo juntos!

Aqui, partilhámos os vários destinos que já visitamos, os hotéis onde ficamos hospedados e os restaurantes que experimentámos. Queremos inspirar quem nos visita, a viajar e a experimentar, pois consideramos que a vida é uma soma de experiências e uma constante procura. Nesta procura, buscamos locais, espaços, gastronomia, cultura, pessoas e, acima de tudo, a felicidade que é poder conhecer, valorizar e preservar o mundo maravilhoso que temos.

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