Carla Ferreira

Carla Ferreira

Concelho de Cinfães – Viseu

Eram quase dezoito horas, o sol começava a querer desaparecer no horizonte. Mesmo assim, há quem adore viajar quando o lusco fusco se instala no céu. Para nós, é precisamente a essa hora que a magia acontece! As paisagens ganham cores verdadeiramente deslumbrantes e tornam-se encantadoras. Foi neste deslumbramento que chegamos à Serra do Montemuro, um dos pontos mais altos e bonitos do concelho de Cinfães.

Este não é apenas uma das mais belos de Portugal, é um destino multissecular, com uma História que chega a cinco milénios de ocupação, uma região com condições únicas para proporcionar o que de melhor existe em termos de natureza, passeios pedestres, aldeias ancestrais, gastronomia e muita tradição, e que segundo o poeta “a amena região onde em favores os deuses se esmeram” (J. Saraiva)

Uma região que se completa com o Vale do Douro, o Vale do Bestança e o Vale do rio Paiva, com belezas ímpares e verdadeiras amostras da biodiversidade, são terrenos moldados pela força da natureza numa geometria quase a roçar a perfeição.

Cinfães é assim, um destino muito completo e que, certamente, irá apaixonar quem o visita. Estamos a falar da minha Terra Natal e, como tal, não podia ser de outra forma. Cinfães é isto e tudo mais que se possa imaginar. Uma terra verdadeiramente fabulosa e acolhedora!

A Muralha das Portas ocupa o lugar fronteiriço entre os concelhos de Cinfães e Castro Daire, conhecido como Portas de Montemuro. A identificação cronológica e funcional do sítio tem sido um mistério ao longo das décadas, tendo já sido teorizado como castro, acampamento romano, castelo medieval e cerca de gado. O mistério deste arqueossítio é acrescido pelo facto de não existir nenhum estudo profundo sobre este e pelo facto de se desconhecerem quaisquer vestígios de superfície no local. O monumento é constituído por uma grande cerca de pedra granítica com um perímetro superior a 1,50km e que aproveita os acidentes naturais e os afloramentos graníticos a seu favor.

Também localizada nos limites do concelho, está uma capela que teve origem num nicho com imagem de Nossa Senhora do Amparo. Atualmente, a capela não possui qualquer imagem no seu interior, pois todas as que aí se encontravam foram furtadas.

Pelo caminho, depois de passarmos as Portas do Montemuro, fizemos um desvio para um local que sabíamos ser um dos melhores para assistir ao pôr de sol, o Monte de São Pedro. Absorvidos pela imensidão da paisagem, corremos livres pelo monte e contemplamos os últimos raios de sol. A montanha sempre a proporcionar-nos momentos únicos. Diz-se que no vento sopram muitas histórias deste campo, as das gentes que o percorreram e que aqui enterraram os seus defuntos, das que aqui adoraram os seus deuses, das que fizeram e desfizeram os seus negócios e das que ainda, no dia 29 de junho, aqui celebram a adoração ao são Pedro.

De referir também que ali bem próximo existe um Parque Megalítico constituído por três Mamoas ou antas, com função funerária, estruturas construídas por grandes rochas com uma datação que se situará entre o Neolítico (meados do 5º milénio a. C.) e o Calcolítico (3º milénio a.C.).

De volta à estrada e, após percorrermos a vertente serrana em direção à vila, chegamos à Tasca do Amado em pleno centro histórico. Era hora de jantar. Fomos calorosamente recebidos pelo Miguel e pela Inês num espaço muito familiar e repleto de tradição, para degustar as iguarias locais acompanhadas do melhor vinho da região, o vinho verde Terras de Serpa Pinto, produção do nosso tio.

A noite caía a passos largos! À nossa espera um refúgio encantador, uma varanda para o Douro, que dá pelo nome de Quinta da Ventuzela e fica localizado na aldeia de Casal. Por entre labirínticos corredores e uns degraus acima estava o nosso quarto, debaixo de um céu magicamente estrelado. Que cenário! O Douro ali tão perto, uma tranquilidade e um conforte sublime.

Manhã cedo. A paisagem continuava a deslumbrar, o céu estrelado dava agora lugar a um azul estonteante que se refletia radioso nas águas calmas do rio. Um cheirinho maravilhoso chegava-nos da elegante sala. A mesa, cuidadosamente preparada, exibia deliciosas iguarias, as quais saciariam os nossos estômagos famintos.

Encaminhámo-nos para o Vale do Bestança e fomos à descoberta de duas lindíssimas aldeias. Começamos pela aldeia de Covelas, onde percorremos ruas estreitas e apreciámos as construções, a maior parte das quais em ruínas. Seguiu-se a aldeia de Boassas que possui uma posição privilegiada, enquadrada no vale e debruçada sobre o Rio Douro, uma aldeia que integra a rede das Aldeias de Portugal desde 2005.

A aldeia caracteriza-se também pelas suas ruas estreitas e pátios típicos, rodeada de natureza e paisagens avassaladoras, detém um património edificado, de grande valor com vários edifícios nobres, centenários e lar de uma das mais ilustres figuras do concelho, o explorador Alexandre de Serpa Pinto.

Seguimos depois, para a mais recente Área de Lazer do rio Bestança, no lugar de Pias, local onde existem poços de águas cristalinas que convidam ao mergulho e espaços para desfrutar do ar livre rodeados de Natureza. Um pouco mais acima e, para quem quiser aprofundar conhecimentos sobre o rio e a sua envolvência, está o Centro Interpretativo do Vale do Bestança, perfeitamente enquadrado com a envolvência natural, que funciona como uma montra para a linha do Vale e para o rio que lhe dá o nome.

De beleza singular o Vale do Bestança é um local que estimula os sentidos e as sensações. Muito há para fazer, tantos são os lugares de interesse natural e histórico, bem como a observação da fauna e da flora local, promovendo a amizade e o conhecimento cultural, através das suas gentes, costumes e tradições. Está integrado na Rede Natura 2000 e caracteriza-se pela sua importância ecológica nacional e pelo exponencial valor que representa a nível internacional. O rio nasce na Serra de Montemuro, junto às Portas de Montemuro, a uma altitude de cerca de 1.230 metros e segue em direção até ao Rio Douro, num vale apertado e quase retilíneo, apresentando acentuados declives na ordem dos 300-400 metros, numa extensão total de aproximadamente 15km, sempre no concelho de Cinfães.

Daqui, seguimos viagem bem para junto do rio Douro, em concreto, para o majestoso lugar de Porto Antigo, um dos mais bonitos em Cinfães. Tudo ali nos transporta para outra dimensão. É o rio, são as pontes, os comboios para cima e para baixo, os barquinhos no rio, a luz incrível que se espelha nas águas do Douro… Que cenário!

Foi por ali também que almoçamos, no Bar do Cais de Porto Antigo onde o rio Bestança se junta ao rio Douro. Mágico!

Para a tarde, reservámos uma visita mais aprofundada à vila que me viu nascer. Fomos revisitar o Museu Serpa Pinto que está localizado no edifício que outrora serviu de Posto da Guarda e Cadeia. O espaço foi criado para a promoção e partilha da vida de Serpa Pinto, com interpretação e exposição permanente da história e vida do explorador, corajoso e astuto Homem que atravessou o continente Africano, e o seu vasto espólio da casa onde outrora residiu. Para além desta exposição, o museu acolhe ainda um conjunto de peças encontradas em escavações e intervenções no território do Município e que, de forma atrativa e convincente, traduzem os milénios de história de ocupação destas terras: desde os Celtas Pesures, primários, aos Romanos, e a recente evolução da época românica.

De seguida, passamos pelo centro histórico e as suas estreitas e íngremes ruelas, depois pelo Jardim Serpa Pinto, espaço onde está edificada a Igreja Matriz, uma igreja do séc. VIII, modificada até ao séc. XVIII que possui uma arquitetura religiosa, barroca e neoclássica. O interior é constituído por uma nave única, transepto saliente, coro-alto, capela-mor e sacristia, e o destaque vai para o teto em falsa abóbada de berço abatido, em madeira policromada com a representação do Batismo de Cristo no rio Jordão na zona central, rodeado por enrolamentos e motivos vegetalistas. A minha igreja, a igreja onde realizei grande parte das minhas celebrações religiosas.

O roteiro pela vila completa-se com uma visita à Academia D´artes, um espaço que serve para as mais diversas manifestações artísticas e culturais, com a realização de eventos periódicos e, bem perto da vila, o Parque da floresta do Ladário, um espaço que emoldura a vila de Cinfães, transformado recentemente numa área de lazer com forte potencial para atividades lúdicas, culturais e de fruição natural. Para além do sossego e tranquilidade que oferece, a vista que se tem deste local é, simplesmente, avassaladora.

Prosseguimos viagem, desta vez, para os lados de Nespereira, concretamente para o Parque de Nossa Senhora de Lurdes, um parque que resultou da recuperação da gruta de Nossa Senhora de Lurdes, junto à Igreja de Santa Marinha, com origens em finais do séc. XIX, e do alargamento para a área envolvente. A gruta foi inaugurada em 1896 e é uma réplica Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, que se encontra em Massabielle, em França. Para além desta réplica, evidenciamos as belíssimas cascatas que acompanham o rio. O trajeto faz-se, ora em terra batida, ora nos passadiços ao longo da margem. Pela sua morfologia natural, constitui um anfiteatro natural, com excelentes condições acústicas, onde se realizam várias atividades e concertos ao ar livre.

Nesta mão-cheia de motivos para conhecer Cinfães, cabe ainda outros locais que também merecem uma visita como, o Santuário de Nossa Senhora dos Enfermos, local de grande romaria, e o fantástico Vale do Paiva, um vale por onde corre o Rio Paiva e que apresenta uma elevada diversidade de espécies, habitats e ecossistemas, uma zona de grande vegetação, com imensos recantos, praias fluviais, parques de lazer, como o Parque do Km10, ideais para os dias mais quentes, sendo um dos epicentros das atividades náuticas de aventura. O parque está equipado com bar e instalações sanitárias que servem de apoio às atividades aquáticas e de aventura aí realizadas, detém ainda um pequeno percurso de arborismo, mesas e bancos amovíveis, bem como pequenos painéis de informação/sensibilização/educação dos utentes sobre os valores naturais do parque ao nível da flora, da fauna e da geologia do local.

Com o dia a encaminhar-se para o final, fomos novamente para junto do rio Douro, desta vez, para a zona da Barragem de Carrapatelo. Passamos pelo Parque de Sampaio e Mourilhe, um local fabuloso com uma vegetação bastante exuberante e ao mesmo tempo, de grande tranquilidade. Tem um percurso pedestre ao longo do curso do rio, que confere paisagens únicas com diversos contrastes entre a flora e a água, onde as cascatas e poços se destacam, bem como os moinhos que se foram construindo ao longo dos séculos.

O Espaço de Mourilhe é uma marginal circundante à barragem, com as mais diversas valências de apoio ao lazer como, espaços de merenda, ciclovia e estabelecimentos. Recentemente, foi construído ali construído um empreendimento que alberga um fabuloso parque de campismo, o Welcome Douro. O nome, por si só, já diz bastante. De facto, está ali, para receber da melhor forma quem chega ao Douro e a Cinfães. Foi neste espaço que jantamos, no Restaurante Escritório. As iguarias foram-nos chegando à mesa sem pressas e foram acompanhadas da magnífica vista para o rio. Fomos surpreendidos pela positiva pelo arroz de salpicão e pelos canudos da barragem.

Terminámos o dia em grande com uma fantástica estadia no Solar Douro Miragaia em Travanca. A ribeira que corre próxima marcam o ritmo que ali se vive, onde só o descanso e o contacto com a Natureza são permitidos.

Um novo amanhecer. Depois de uma noite bem dormida no confortável quarto, e após um maravilhoso pequeno almoço numa das belíssimas salas do solar de 1643, voltámos à estrada. Estávamos quase no limite do concelho e, por isso, fomos até junto do Cais de Escamarão para contemplar e fotografar a encantadora Ilha dos Amores no rio Douro.

Para este dia, tínhamos programado fazer parte da Rota do Românico que atravessa Cinfães. Começamos pela Igreja de Nossa Senhora da Natividade de Escamarão, importante devido à sua implantação estratégica, na confluência dos rios Paiva e Douro. A igreja é composta por nave única e capela-mor retangular, ambas definidas por maciços muros. Com exceção da janela gótica, a iluminação do interior é feita por estreitas frestas que se rasgam em ambos os alçados da nave e capela-mor. Vários autores a enquadram no chamado tardo-românico. A conclusão da edificação da Igreja terá ocorrido na Era de 1423, ou seja, ano de 1385.

Continuando na Rota do Românico, passamos também pela Igreja de Santa Maria Maior de Tarouquela, outrora parte integrante de um dos primeiros mosteiros femininos da ordem de São Bento a sul do Douro.
A história de Tarouquela explica-nos bem os testemunhos artísticos que as várias épocas legaram nesta Igreja que já foi monástica. Embora a fundação do Mosteiro de Santa Maria de Tarouquela remonte ao século XII, os testemunhos românicos presentes apontam-nos para uma cronologia mais recente, já de inícios do século XIII.
A arquitetura e ornamentação desta Igreja românica traduzem o que se fez de melhor neste território. A escultura patente nos portais, frestas, capitéis, cachorros, tímpano e cabeceira, atestam uma riqueza plástica que, acima de tudo, pretende passar uma mensagem simbólica. A ornamentação patente na escultura da cabeceira, tanto ao nível exterior como interior, dá corpo a um dos melhores exemplares da arquitetura românica em território português. Apesar de ter sofrido um aumento, na Época Moderna (séculos XVII/XVIII), para receber o altar-mor, aproveita o aparelho românico, comprovado pela abundante presença de siglas de canteiro.
No interior, devemos destacar a presença da escultura de temática beneditina – os animais com função apotropaica (proteção contra o mal) e o altar de sagração românico e respetivo tabernáculo.

Para terminar a Rota do Românico em terras cinfanenses, houve ainda tempo para revisitar a Igreja de São Cristóvão de Nogueira com a sua fachada voltada para o vale do Douro. Segundo a lenda, a Igreja não terá existido sempre no local onde atualmente se encontra, ela terá sido transferida para o lugar de Nogueira, por mouros possantes.
Profundamente alterada na Idade Moderna, que lhe reconstruiu a capela-mor (finais do século XVIII), lhe rasgou amplos janelões e lhe anexou edificações, a Igreja de São Cristóvão é estruturalmente uma construção medieval enquadrada no chamado românico de resistência, onde se conjugam as persistências de sabor românico com os anúncios do gótico, sendo possível datar os vestígios românicos remanescentes da transição do século XII para o XIII. De entre estes assume particular destaque o portal principal, tardio e inscrito na espessura do muro e sem colunas, mas cujas arquivoltas são ornadas no chanfro pelo motivo das pérolas, que conheceu grande fama na região envolvente.

Curioso é o portal lateral sul, dada a originalidade dos motivos esculpidos no arranque das aduelas. Duas mãos cerradas, colocadas sobre ambas as impostas seguram o que parece ser uma chave. Também nos pés-direitos, definidos por uma aresta chanfrada, curiosos motivos decorativos, entre os quais destacamos um lagarto, do lado direito do observador.  No seu interior distingue-se um outro espírito, quase um horror ao vazio.  O teto da nave mostra um rico trabalho barroco de artesoado e pintura, onde 57 painéis criaram um autêntico santoral: santos e santas da contrarreforma, santos bispos, apóstolos, mártires e os intercessores bem conhecidos do devocionário popular.
Viajar pela Rota do Românico é sempre muito interessante quer do ponto de vita arquitetónico, quer do ponto de vista da História.

De volta à estrada, e com a hora de almoço a aproximar-se, dirigimo-nos para o Restaurante Solar do Montemuro, um espaço gastronómico de referência em Cinfães, no qual fomos presenteados com pratos regionais à base de carne de raça Arouquesa.

Para a tarde, reservamos as aldeias típicas da Serra do Montemuro. Numa panóplia de aldeias a conhecer destacámos a Aldeia de Bustelo da Lage, localizada na encosta do Rio Bestança, que se carateriza pelo seu aglomerado rural, caminhos empedrados, moinhos, palheiros e as eiras com os seus espigueiros. As tradições estão ainda muito presentes no quotidiano e a agricultura é uma parte integrante da vida nesta aldeia.

Outra aldeia que também merece uma visita, chama-se Aldeia de Vale de Papas, uma aldeia típica de raízes frias e contidas, com um aglomerado rural concentrado, composto de pequenas edificações de pedra e telhado de colmo, cortes de gado para animais e espigueiros para armazenamento da produção agrícola. O núcleo rural central apresenta uma eira comunitária, com arrecadação, capela, calçadas com origem no período romano.

Para o fim, mas não mesmo bonita, a Aldeia da Gralheira. Esta aldeia situa-se nos limites do concelho, a cerca de 1100 metros de altitude, e é também conhecida como a “Princesa da Serra”. Aqui, os invernos são rigorosos e a queda de neve é frequente, o que oferece panoramas magníficos em determinadas alturas do ano.

Com uma paisagem deslumbrante, rodeada de lameiros férteis e verdejantes, propícios à criação de gado, esta é uma das atividades principais na aldeia e uma das principais fontes de riqueza das suas gentes. No centro da povoação ainda é possível vislumbrar algumas casas típicas, construídas com granito e algumas delas, ainda cobertas de colmo. A aldeia é caraterizada também pela sua população unida e dinâmica, destacando-se ainda a gastronomia local, divulgada e dinamizada pelos dois restaurantes aqui existentes, que brindam os seus clientes com fantásticas iguarias, como a vitela arouquesa, cabrito e anho assados em forno de lenha, cozidos, arroz de salpicão, entre outros. No Natal recebe um dos mais importantes eventos do concelho, “A aldeia do Pai Natal”. Por essa altura, a aldeia veste-se a rigor para receber as mais diversas experiências ligadas à quadra natalícia.

  

Outros Pontos de Interesse no Concelho de Cinfães

Museu Escola de Vilar do Peso

Na localidade de Vilar do Peso, São Cristóvão de Nogueira, foi criado um espaço cultural secular, com alusão à experiência escolar do séc. XX, com uma reconstrução minuciosa da sala de aula em diferentes épocas com os utensílios e equipamentos utilizados durante a evolução do sistema educativo nacional.

 

Museu Etnográfico de Nespereira

Museu localizado na vila de Nespereira, criado para salvaguardar a identidade local e regional, através da preservação, partilha e mostra de vivências, “histórias” e aspetos da ancestralidade dos seus povos.

Acolhe de forma permanente utensílios, artefactos, ferramentas, alfaias, mobiliário, trajes e calçado do Grupo Folclórico de Nespereira, e que retrata o modus vivendi de uma época. Possui ainda um espaço amplo exterior, onde se expõe uma eira, um canastro e todo o conjunto de alfaias próprias da atividade agrícola.

 

Monte das Coroas

O sítio arqueológico do Castro das Coroas situa-se na freguesia de Ferreiros de Tendais, mais precisamente no lugar conhecido como Cabouco ou Monte das Coroas.

Trata-se, tipologicamente, de um castro (povoado fortificado) datável da Idade do Ferro (embora exista a possibilidade de uma ocupação da Idade do Bronze) e com apropriação pelo menos até à época romana.

Este povoado insere-se na chamada Cultura Castreja que se inicia no 1º milénio a. C., numa cota elevada (553m), numa excelente posição estratégica com vista privilegiada para o vale do rio Bestança (situando-se na margem direita deste) e para o rio Douro.

Junto ao Castro das Coroas passaria ainda uma via romana. Esta faria parte da estrada que ligava Bracara Augusta (Braga) a Emerita Augusta (Mérida), que passava por Tongobriga (Freixo, Marco de Canaveses) atravessava o Montemuro e ligava a Viseu, Idanha e Cáceres.

Há ainda a destacar a existência, junto ao castro, de duas furnas escavadas no saibro. Os dois monumentos de grandes dimensões, dos maiores já encontrados no Concelho, parecem ter tido uso habitacional e/ou agrícola. E é muito provável que tenham sido habitados desde a Idade Média.

 

Ponte de Covelas

A ponte de Covelas situa-se no lugar de Covelas, na freguesia de Ferreiros de Tendais e faz a travessia do rio Bestança entre as freguesias de Ferreiros e Tendais, sendo um dos pontos mais importantes na travessia do rio Bestança durante mais de dois séculos.

Trata-se de uma ponte moderna de estilo barroco construída em granito com uma calçada lajeada constituída por pedras bem talhadas.

 

Ponte de Soutelo

A ponte de Soutelo, em maciços blocos de granito, está localizada sobre o rio Bestança para unir a travessia pedestre e em carros de vacas, entre Soutelo e o lugar da Granja.

Esta antiga via que servia os que, vindos da zona de Castro Daire, desciam a Serra do Montemuro em direção a Porto Antigo, tem vindo a ser interpretada como parte integrante de um importantíssimo itinerário romano entre duas capitais provinciais: Emérita Augusta (Mérida), e Bracara Augusta (Braga).

Mesmo sem registos exatos, é considerada uma obra com caraterísticas medievais. Curiosamente, a única sobre o rio Bestança.

Com arco de volta perfeita com cerca de 9m de diâmetro; apresenta tabuleiro de cavalete com 2,5m de largura (face interior), piso lajeado com blocos e lajes de grandes dimensões, e guardas de ambos os lados, formadas por blocos e lajes de talhe grosseiro, dispostas segundo o lado maior.

Os elementos em falta, sobretudo pela erosão, têm vindo a ser reparados, por vezes pelos próprios utilizadores, com técnicas algo pitorescas e rudimentares.

 

Parque Urbano de Souselo

O Parque Verde Urbano de Souselo localiza se junto a estrada N222 e agrega, assim, um vasto número de edificado habitacional e serviços locais, contribuindo também para uma mobilidade urbana mais segura, inclusiva e sustentável. É neste espaço que está inserida a Igreja Matriz de Souselo, a qual sofreu obras em 1998 para beneficiação do interior, com um novo teto, um novo chão, paredes restauradas e os altares pintados.

 

Percursos Pedestres

Uma das formas para conhecer Cinfães poderá ser através de um percurso pedestre, desfrutando, desta forma, da Natureza. Os percursos são variados e incluem trajetos que vão desde a montanha até ao rio, por entre ancestrais e belas aldeias, a que se junta a fauna e a flora, a arte Megalítica, a Celta ou Romana.

São 6 os percursos que existem na região:

  • PR1 – Caminho do Prado

Percurso circular que se desenvolve no Vale do Bestança ao longo das margens do rio e que passa pelas localidades de Vila de Muros, Covelas e Vale Verde. Tem início no Largo da Nogueira, em Vila de Muros, segue em direção à ponte Romana de Covelas, atravessa o rio Bestança para a margem direita e sobe à aldeia de Covelas por uma calçada antiga. Volta, novamente, a cruzar o rio por uma ponte de cimento e chega a uma zona conhecida por Prado. Depois, sobe por uma antiga calçada até Vale Verde, onde continua por asfalto até Vila de Muros.

6,7 Km

2h 35m

Circular

Desnível: +236m

 

  • PR2 – Rota do Vale

A Rota do Vale é um percurso linear, com duas portas de entrada. Pode ser iniciado no Largo da Nogueira, na aldeia de Vila de Muros, ou nas Portas de Montemuro, junto da capela das Portas. Desenrola-se no Vale de Bestança, e ao longo do rio Bestança. Este percurso conduz-nos por locais de elevado interesse paisagístico, cultural e arquitetónico, tais como: o Prado do Bestança; Ribeira de Tendais; Rio Bestança; Ponte de Soutelo; Eira Comunitária do Bustelo; Serra de Montemuro; Capela e Muralha das Portas de Montemuro.

18, 8 Km

5h

Linear

Desnível: +1273m

 

  • PR3 – Vale do Aveloso

Percurso circular em forma de oito, com início e fim na junta de freguesia de Tendais. Passa pela aldeia de Macieira e segue por calçadas e caminhos entre muros até à ribeira de Covais. Após atravessar a ribeira segue para Aveloso. Desta povoação desce, novamente, até à ribeira de Covais percorrendo-a pela sua margem esquerda até chegar à povoação de Meridãos. Prossegue para Tendais, apanha o vale onde corre a ribeira de Tendais, até que chega à igreja e, novamente, à junta de freguesia.

10, 7Km

3h 30m

Circular

Desnível: +429m

 

  • PR4 – Encostas da Serra

Este percurso pedestre tem início e fim junto à eira da Laje, em Bustelo, uma aldeia tradicionalmente serrana. Passa na eira grande, uma lage de granito de grandes dimensões que se destaca no meio dos socalcos e prossegue no trilho para sul, que o leva até a povoação de Alhões contornando as estreitas ruas deste lugar. Continua depois para Oeste, em direção ao vale do rio Bestança por antigas calçadas e trilhos. Depois de passar o rio Bestança duas vezes, sobe uma última vez até chegar novamente à povoação de Bustelo.

8, 1Km

2h 30m

Circular

Desnível: +354m

 

  • PR5 – Caminho das Portas

Percurso circular com início e fim no parque de lazer de Alhões. Inicia-se pela estrada de asfalto, virando logo à esquerda por uma estrada de terra batida que em seguida começa a ser murada. Chega a uma antiga calçada que atravessa várias linhas de água onde o percurso segue pela direita. Continua em direção ao planalto, segue por um trilho entre muros até ao cruzamento onde o percurso prossegue pela direita até Alhões. Atravessa toda a aldeia, cruza a estrada de asfalto entrando numa outra calçada, até ao parque de lazer.

5, 4Km

2h

Circular

Desnível: +246m

 

  • PR6 – Caminho da vila

Percurso linear com início na Loja Interativa de Turismo de Cinfães ou no Centro de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança. Seguindo o sentido aconselhado, inicia-se pela estrada de asfalto em direção a Este, e após subir um pouco sai da Vila por um trilho entre casas. Depois, prossegue por uma estrada de terra batida até à estrada de asfalto. Segue um pouco na estrada de asfalto e vira à esquerda por um trilho antigo entre muros. Continua por uma antiga calçada medieval que leva a Pias, cruza a E.N. 222 e entra nas ruas estreitas que leva ao Centro de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança.

2, 7Km

1h

Linear

Desnível: +428m

 

Centro de Trail Montemuro

Rede de treino com mais de 200km de trilhos de montanha, em pleno Montemuro, com vários níveis de dificuldade, centros de apoio e vias de ligação.

 

Centro BTT

Rede com 6 trilhos BTT, circulares, num total de 140km pelos sinuosos percursos da Serra do Montemuro e sua envolvente. Com 4 níveis de dificuldades, dispõe ainda de estruturas de sinalização e balneários de apoio ao ciclismo.

 

Festividades

  • Festas de São João (junho)
  • ExpoMontemuro (julho)
  • Douro Green Fest (agosto)
  • Aldeia do Pai Natal (dezembro)

 

Para Comer

Cinfães é terra de valores históricos que mantém o rigor gastronómico das culturas milenares que, ainda hoje, transportam alguns dos melhores sabores da região, sejam eles tradicionais ou resultados da inovação gourmet.

Aqui, saboreamos a carne arouquesa (em posta, ou no incomparável arroz de aba), os doces de manteiga (vulgos matulos) e as compotas de vários sabores. E tanto pode fazê-lo num dos restaurantes recomendados, como num dos vários eventos de mostra e promoção. Em qualquer das opções, deve sempre acompanhar com o vinho verde, fresco e frutado, e, claro, finalizar com um aromado licor.

 

Restaurantes

  • Tasca do Amado
  • Bar Cais de Porto Antigo
  • Restaurante O Escritório
  • Solar do Montemuro

 

Para Ficar

Quinta da Ventuzela

A lindíssima Quinta da Ventuzela está localizada na aldeia de Casal, numa das zonas mais bonitas do concelho, mesmo junto à deslumbrante paisagem do rio Douro.

A Quinta remonta ao 2º quartel do século XVII e foi restaurada de modo a proporcionar conforto e elegância.

A casa principal dispõe de 4 quartos com wc privativo, salas com Tv e lareira, Bar, e Salão de Jogos. O alojamento integra ainda a Casa da Eira e a Casa do Caseiro, compostas por 2 quartos com wc, cozinha e sala totalmente equipadas.

A Quinta da Ventuzela tem ainda ao dispor uma capela que data de 1635 e que pode ser usada para cerimónias religiosas, piscina e jardins.

O pequeno almoço é maravilhoso e preparado cuidadosamente com iguarias de regalar o paladar.

Tudo na Quinta é motivo de destaque, desde os quartos, os espaços exteriores, a vista, o pequeno almoço e a simpatia e acolhimento dos proprietários.

 

Solar de Douro Miragaia

Em plena encosta do rio Douro e do rio Paiva, na aldeia de Travanca, o Solar Douro Miragaia é um solar único com uma vista privilegiada, um pedaço de história rodeado pela mais bela, tranquila e relaxante natureza… um refúgio para a mente e para o corpo.

O Solar foi edificado no século XVII, e faz parte da Quinta de Miragaia, uma propriedade com cerca de 2 hectares, que conta ainda com uma estufa ao estilo inglês, uma azenha e espaços verdes. No interior existem diversos pormenores que datam do séc. XV ao XVIII.

O Solar foi restaurado com o máximo de cuidado para manter a traça portuguesa original e o seu enorme valor histórico, sendo reconhecido como património de enorme importância para Portugal e para o Turismo de Portugal.

A Sílvia é a simpática proprietária que nos acolheu com imensa amabilidade e que nos proporcionou uma estadia maravilhosa. Connosco partilho também alguns dos seus lemas e filosofia de vida, filosofia que está bem presente no Solar Douro Miragaia. Aliás, como a própria refere “VIVER NUM CENÁRIO ÚNICO E EM PLENA HARMONIA COM A NATUREZA É UMA DÁDIVA QUE PARTILHO COM TODO O MEU CORAÇÃO.”

O alojamento é composto por 10 quartos com casa de banho privativa e acesso partilhado a piscina e salões elegantemente decorados com peças magníficas de outrora. Quem preferir pode reservar o Solar por inteiro para umas férias em família ou com os amigos e desfrutar de uma estadia exclusiva num Solar único, com piscina e envolvido pela natureza do Douro.

Mais Informações em visitcinfaes.pt

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Sobre

Olá, o meu nome é Carla Ferreira. Vivo em Viseu com a minha família, o marido Leonel e as filhas Sofia e Francisca.

Somos apaixonados pelo mundo, pela Natureza, pelas pessoas, culturas e tradições. Somos inquietos, sempre com uma vontade enorme de explorar mais e mais, de estar constantemente à procura. Privilegiamos muito o conhecimento, a valorização, a preservação e a sustentabilidade do planeta Terra. 

Explorar o mundo e partilhá-lo com as pessoas são das coisas que mais gostamos de fazer.

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