Carla Ferreira

Carla Ferreira

Ecopista do Dão – Viseu, Tondela e Santa Comba Dão

#EuFicoEmPortugal, porque Portugal é um país único, de paisagens verdadeiramente incríveis, muito diversas, boa gastronomia, elevadíssimo património arquitetónico e cultural, e uma terra de gente muito hospitaleira.

Nesta imensa panóplia de lugares a conhecer, existe um que dá pelo nome de Ecopista do Dão, a mais comprida de Portugal e que ocupa a antiga linha férrea que ligava Viseu a Santa Comba Dão. Uma boa parte do caminho faz-se nas margens do rio Dão e do seu afluente Dinha, num percurso de rara beleza. A passagem pela ponte metálica ferroviária de Mosteirinho, com uma extensão de cerca de 300 metros, é um dos momentos mais emblemáticos do percurso.

A Linha do Dão foi inaugurada a 25 de novembro de 1890, com início na estação de Santa Comba Dão, onde intersetava a Linha da Beira Alta, seguindo em direção a Tondela, atravessando as terras do Dão, até chegar à estação de Viseu numa extensão total de 49,2 Kms. A partir daqui ligava à Linha do Vouga que estabelecia a ligação até Aveiro interligando com a Linha do Norte.

Em agosto de 1972, o serviço de mercadorias foi suspenso, sendo a Linha do Dão totalmente encerrada em 25 de setembro de 1988. Entre 1997 e 1999 os carris foram levantados, bem como o balastro e as travessas, tendo todo o património edificado ficado ao abandono.

A requalificação de todo o espaço da linha do Dão custou cerca de 5 milhões de euros e esteve a cargo dos municípios de Viseu, Tondela e Santa Comba Dão, após protocolo com a REFER, tendo sido apoiada pelo Programa Operacional Mais Centro, do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

Com o final das obras de construção da Ecopista do Dão, foi inaugurada nos dias 1 e 2 de julho de 2011. O balanço foi francamente positivo, com uma enorme adesão das populações. 

Esta infraestrutura integra a rede nacional de Ecopistas que se articularão entre si através de outros corredores verdes para a promoção do Turismo de Natureza, envolvendo as vertentes cultural e paisagística.

Relativamente à paisagem, há a destacar o rio, os bosques de carvalhos, as vinhas do Dão, as estações de comboio transformadas em petiscarias, as aldeias e ao longe as Serras do Caramulo e da Estrela. As retas e curvas desta Ecopista atravessam, portanto, paisagens deslumbrantes. É todo um cenário natural que acompanha, tanto uma boa caminhada a pé ou de patins, como um belo passeio de bicicleta.

A Ecopista faz-se, pois, no seio da Natureza ouvindo o som dos passarinhos, o barulho da água do rio e, por vezes, as conversas das pessoas com quem nos vamos cruzando.

A sensação de liberdade que nos proporciona é indiscritível, só mesmo experienciando. Foi o que fizemos. Decidimos fazê-lo das várias formas possíveis, e por isso partimos de Viseu em direção a Tondela de bicicleta. O percurso de Tondela até Santa Comba Dão foi feito a pé e de patins, no caso das “Pequenas”, em várias etapas.    

É fácil de percorrer a Ecopista, tanto de bicicleta como a pé, pois não tem subidas significativas e o pavimento é firme, cimentado e liso. Para uma clara identificação dos concelhos por onde passa, está pintada de azul no concelho de Santa Comba Dão, de verde em Tondela e de vermelho em Viseu.

A parte inicial insere-se numa paisagem de sobreiros, castanheiros e carvalhos, mas também algumas vinhas, campos cultivados e aldeias, e mais longe, vistas sobre a Serra do Caramulo a norte, e sobre a Serra da Estrela a sul.

Depois de Tondela começa, na nossa opinião, a parte mais bonita do percurso junto às margens do rio Dão e o seu afluente. A cada curva no rio significa uma curva na Ecopista e uma fabulosa descoberta paisagística, na qual se destacam também algumas praias fluviais maravilhosas e alojamentos soberbos.

A Ecopista encontra-se devidamente sinalizada, possui pontos de água, e áreas de lazer e de desporto.

 

Alguns destaques ao longo da Ecopista:

Km 0 – Inicio/ fim da ciclovia em Viseu

Km 1,5 – Apeadeiro de Vildemoinhos

Km 3 – Tondelinha

Km 7,5 – Estação do Figueiró (esta estação foi recuperada e transformada num café com esplanada, chama-se “Cais Bar”)

Km 10 – Ponte de Mosteirinho (esta ponte foi desenhada por Eiffel) e Apeadeiro

Km 11, 9 – Estação de Torredeita (aqui podemos visitar a locomotiva a vapor de 1885)

Km 16 – Estação de Farminhão (esta estação foi convertida no Café Restaurante “Station Alive”)

Km 16 ao Km 19 – Túnel de Santa Catarina (o túnel possui cerca de 200 metros, cuja iluminação é feita através de painéis solares, a cor do pavimento muda de vermelho, cor do concelho de Viseu, para a cor verde, cor do município de Tondela, a meio do túnel. No Km 19 está situado o Restaurante “Temperos Nómadas” na antiga estação de Parada de Gonta)

Km 21 – Estação de Sabugosa

Km 24 – Igreja Matriz de Canas de Santa Maria (ruínas de um templo românico-gótico construído no século XIV)

Km 28,7 – Tondela / Santa Ovaia (a Ecopista passa ao lado da cidade de Tondela e aqui perto passa-se pelas ruínas da Estação de Santa Ovaia)

Km 31 – Estação de Tonda

Km 35 – O vale do rio Pavia (entre os KM30 e Km40 o trajeto é presenteado com o rio Dinha, um afluente do rio Dão, e umas vistas muito bonitas, envoltas em sobreiros, castanheiros, carvalhos e algumas vinhas)

Km 40 – Praia Fluvial Nagozela (ao km 37,5 a cor do pavimento muda de verde, cor do concelho de Tondela, para a cor azul, cor do município de Santa Comba Dão. A determinada altura, há a indicação para uma lindíssima praia fluvial não oficial, um lugar fantástico junto ao rio Dão, uma das zonas mais bonitas ao longo de todo o percurso, na nossa modesta opinião)

Km 43 – Estação de Treixedo

Km 44, 5 – Ponte sobre o rio Dão (ponte totalmente recuperada sobre o rio Dão)

Km 47,1 – Belenda Bike Rental (aqui localiza-se a empresa de aluguer de vários tipos de bicicletas com serviço de transfer)

Km 49, 2 – Início/ fim da Ecopista na Estação de Santa Comba Dão (Vimeiro)

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Sobre

Olá, o meu nome é Carla Ferreira. Vivo em Viseu com a minha família, o marido Leonel e as filhas Sofia e Francisca.

Somos apaixonados pelo mundo, pela Natureza, pelas pessoas, culturas e tradições. Somos inquietos, sempre com uma vontade enorme de explorar mais e mais, de estar constantemente à procura. Privilegiamos muito o conhecimento, a valorização, a preservação e a sustentabilidade do planeta Terra. 

Explorar o mundo e partilhá-lo com as pessoas são das coisas que mais gostamos de fazer.

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