Carla Ferreira

Carla Ferreira

Elvas – Portalegre

#Continuandoàprocura das mais belas cidades em Portugal, em setembro de 2020, estivemos em Elvas para conhecer mais em pormenor uma das cidades com maior peso histórico para o país e que muito contribuiu para a identidade portuguesa.

Património da UNESCO, desde 2012,  graças às suas imensas fortificações abaluartadas, Elvas possui uma localização privilegiada, em contacto direto com a Natureza do Parque Natural de São Mamede e o maior lago artificial da Europa no Alqueva, e reveste-se de imensos atrativos que merecem uma visita sem pressas.   

A cidade está localizada, portanto, no Alto Alentejo, no distrito de Portalegre, muito próximo à fronteira. Quem nunca ouvi o afamado dito popular “Ó Elvas, ó Elvas, Badajoz à vista”.

Em Elvas foram construídos mais de cem edifícios militares, com o intuito de dotar a cidade de estruturas defensivas para travar os invasores e manter a independência de Portugal e a sua história, tornando-se um exemplo para toda a humanidade.

 

Para Ver

Praça da República 

A Praça da República está situada no centro histórico e, normalmente, marca o ponto de partida para a descoberta da cidade. A praça é bastante ampla, possui inúmeros restaurantes/ bares e esplanadas, para além da grande quantidade de monumentos como, a Casa da Cultura nos Antigos Paços do Concelho, o Posto de Turismo, a Torre do Relógio, a Catedral de Elvas e as letras emblemáticas que designam a cidade.

 

Igreja de Nossa Senhora da Assunção (Antiga Sé Catedral de Elvas)

A igreja Nossa Senhora da Assunção é a mais imponente igreja que por ali existe. Embora tenha sido renovada nos séculos XVII e XVIII, ainda tem alguns detalhes manuelinos, como duas portas laterais e uma torre como fachada com um portal neoclássico do séc. XVIII.O interior tem três naves abobadadas, um altar barroco em mármore, azulejos dos séculos XVII e XVIII e um órgão no coro-alto.

 

Alcáçova/ Muralhas de Elvas

Elvas possui a maior fortificação abaluartada do mundo, cujas estruturas defensivas em forma de estrela com uma área de 300 hectares e um perímetro de cerca de 10 km são um testemunho único da evolução da estratégia militar até ao século XIX. Foram muito importantes nas lutas com Espanha pela Independência de Portugal, em meados do século XVII, e serviram de base ao General Wellington, durante as Guerras Napoleónicas, no início do século XIX.

As muralhas foram construídas no reinado de dom Sancho II, entre os séculos XVII e XIX. 

O preservado conjunto militar é formado pelas muralhas islâmicas e medievais e pela cintura de muralhas do século XVII influenciada pelo estilo holandês de Cosmander, para além do Forte de Santa Luzia (século XVII), do Forte da Graça (século XVIII) e de 3 fortins do século XIX – São Mamede, São Pedro e São Domingos.

No interior das muralhas, a cidade inclui grandes casernas e outras construções militares, bem como igrejas e mosteiros. Um dos pontos de visita obrigatório desta zona dá pelo nome de Rua das Beatas, uma ruela tipicamente alentejana empedrada e estreita, na qual contrasta o branco do casario com o colorido das portas em arco ogival, das janelas e dos vasos floridos. No final da rua, existe um largo de onde é possível apreciar uma das melhores vistas panorâmicas da cidade de Elvas.

 

Castelo de Elvas

Classificado como Monumento Nacional em 1906, o primeiro em Portugal, o castelo está localizado no ponto mais alto da cidade e possui funções militares desde a ocupação islâmica, tendo sido reedificado no reinado de D. Sancho II e beneficiado de recuperações ao longo do tempo. Foi local onde se assinalaram alguns acontecimentos como Tratados de Paz e banquetes de casamentos reais.

 

Largo de Santa Clara

O Largo de Santa Clara é um dos lugares mais típicos de Elvas. Trata-se de uma pitoresca praça triangular pavimentada, rodeada por casarões senhoriais com brasão e com barras de ferro forjado, localizado à frente da Igreja de Nossa Senhora da Consolação, junto à porta árabe (século X) flanqueada por duas torres e coroada com uma galeria. No coração da praça está um Pelourinho do século XVI, uma alta coluna torneada, feita em mármore, que ainda tem quatro braços de ferro com formas de cabeça de dragão, em que eram enforcados os condenados.

 

Largo da Misericórdia e Rua da Cadeia

Esta zona alberga uma série de pontos de visita, como, a estátua de D. Manuel I, o rei de Portugal que elevou Elvas a cidade, a Igreja da Misericórdia, a Torre Fernandina, o Museu de Elvas e o Museu de Arte Contemporânea.

 

Casa da Cultura de Elvas

A Casa da Cultura de Elvas está situada na Praça da República, num edifício de 1538, do arquiteto Francisco de Arruda, que outrora serviu de Paços do Concelho. O edifício foi construído encostado à segunda cerca islâmica e foi muito alterado na segunda metade do séc. XVIII. No exterior do edifício é de destaque a galeria quinhentista que dá para a Praça da República e uma janela manuelina que se vê da Rua da Cadeia.

 

Museu de Arte Contemporânea de Elvas

O Museu de Arte Contemporânea Portuguesa foi inaugurado em 2007 e está instalado no edifício do Antigo Hospital da Misericórdia.

O acervo é composto por obras pertencentes à coleção de António Cachola (1949 – presente), com destaque para a conhecida obra de seu nome “A Noiva”, que consiste num gigantesco Candeeiro Lustre de cerca de 6 metros de altura e 3 de largura feito com tampões da marca Ob criando de pequenas lâmpadas. Nesse acervo estão ainda incluídas obras dos artistas José Pedro Croft, Rui Sanches, Pedro Calapez, José Loureiro, Pedro Casqueiro, Ângela Ferreira, Noé Sendas, Joana Vasconcelos, João Pedro Vale, Sofia Areal entre outros.

No último piso do Museu existe uma cafeteria onde se tem uma vista magnífica sobre a Cidade de Elvas.

 

Igreja das Domínicas

A Igreja dos Domínicas foi construída entre 1543 e 1557 pelo arquiteto Diogo Torralva, no local onde existia a antiga Igreja de Santa Maria Madalena, da Ordem Templária. A igreja possui uma interessante planta centralizada e octogonal, as paredes estão revestidas com azulejos do século XVII, a capela-mor é quinhentista e as capelas laterais em talha dourada. No exterior o destaque vai para o portal renascentista.

A igreja possui ainda um miradouro do qual é possível avistar parte do centro histórico de Elvas.

 

Forte da Graça

Também conhecido por Forte Conde de Lippe, este situa-se num monte com o mesmo nome, um dos mais altos da região, muito próximo de Elvas. Foi mandado construir pelo rei D. José I em 1763, tendo sido inaugurado em 1792, já no reinado de D. Maria I.

Sofreu muito com os ataques inimigos, nomeadamente das forças Espanholas e das tropas francesas. O Forte é constituído por três linhas de defesa, e no interior existe diversas dependências, como casernas, capela, a casa do governador, uma grande cisterna, canhoeiras, entre muitas outras.

 

Forte de Santa Luzia

O Forte de Santa Luzia situa-se na zona sul de Elvas, constituindo atualmente um importante exemplar da arquitetura militar Portuguesa do século XVII, construído em 1641, num projeto assinado por Matias de Albuquerque, redesenhado por Sebastião Frias em forma de estrela, e posteriormente alterado por Hieronimo Rozzeti.

O Forte apresenta uma planta quadrangular com cerca de 150 metros, sendo constituído por diversos baluartes em estilo Vauban, revelins, coroas e outras obras militares. Ao centro tem um fortim do qual se eleva a Casa do Governador. Atualmente o Forte alberga o Museu Militar do Forte de Santa Luzia.

 

Aqueduto da Amoreira

O aqueduto da Amoreira é talvez uma das obras de engenharia portuguesa mais impressionantes da autoria de Fernando de Arruda, cuja construção demorou cerca de 20 anos.

Estende-se a partir do exterior como a Cidade de Elvas, e transporta a água até a fonte de mármore do Largo da Misericórdia (Fonte da Misericórdia). Este aqueduto impressionante, classificado como Monumento Nacional desde 1910, levou mais de 120 anos a ser construído, entre 1530 e 1622, seguindo os desenhos de Francisco de Arruda, com enormes contrafortes cilíndricos e arcos em vários andares que chegam aos 30 metros de altura em alguns pontos.

Possui uma extensão de quase 8 km, dos quais os primeiros 1300 metros são galerias subterrâneas e 843 arcos, visível de quase todos os pontos que circundam Elvas.

 

Locais a Visitar Próximos de Elvas

 Ponte da Ajuda (a 12Km)

Também conhecida como Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, esta ponte localiza-se na freguesia de Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso.

Trata-se de uma majestosa ponte renascentista, com estrutura de influência clássica. Encontra-se num importante ponto estratégico de passagem do rio Guadiana e permitia a circulação viária entre Elvas e Olivença. É um dos marcos da construção civil do século XVI, constituindo ainda hoje um importante marco paisagístico de carácter histórico-patrimonial.
Foi edificada no reinado de D. Manuel I e destruída por causa de cheias em finais de Quinhentos, tendo sido reconstruída após a Restauração, sendo novamente alvo de destruição e de recuperação resultante da guerra que se seguiu.
Palco de várias disputas territoriais e político-militares, acabou por ser parcialmente destruída na Guerra da Sucessão de Espanha em 1709.

Tinha originalmente dezanove arcos, na sua maioria de volta perfeita, possuindo no entanto em cada extremidade arcos abatidos, tal como deveria ser o central, mais espaçado do que os restantes. Atualmente restam cinco arcos na margem esquerda e oito na margem direita, sendo ainda visíveis os remanescentes pegões arruinados no Guadiana. Os pilares, quadrangulares, possuem talhamares em ambos os lados e são de pedra bem aparelhada, com o embasamento feito com silhares graníticos. O seu tabuleiro era horizontal em toda a extensão e tem cerca de 450m de comprimento por 5m de largura, encontrando-se a cerca de 10m do ponto mais profundo do leito.

  

Juromenha (a 18Km)

A Fortaleza de Juromenha localiza-se na freguesia de Juromenha, concelho de Alandroal, distrito de Évora. Entre a Guerra da Restauração e a Guerra Peninsular foi considerada uma das chaves da fronteira do Alentejo, pois localiza-se junto ao rio Guadiana.

As primeiras referências ao sítio da Juromenha datam da segunda metade do século IX. Durante mais de duzentos anos este local foi considerado a praça-forte de defesa da zona de Badajoz, e só seria definitivamente reconquistado pela Coroa portuguesa em 1242. 

Apesar de ter sido objeto de uma total reconstrução em 1312 por ordem de D. Dinis, a fortaleza foi entrando em progressiva decadência a partir do século XVI, só sendo revitalizada no período pós-Restauração, devido à sua importância estratégica.
A fortaleza foi edificada segundo uma planta de modelo poligonal, composto por duas cinturas de muralhas, uma interna, onde se situa a torre de menagem, e outra externa, sendo esta de tipo abaluartado. No espaço interior da fortaleza foram edificadas as igrejas da Misericórdia e a matriz, bem como os antigos Paços do Concelho e respetiva cadeia, e uma cisterna de planta retangular que abastecia a população.
A partir de 1808 entrou em progressiva decadência, e em 1920 ficou despovoada.

 

Vila Fernando (a 8 km)

Encantadora freguesia rural situada a cerca de 8Km de Elvas, com origens antigas de ocupação humana. Caracterizada pelo casario de faixa colorida, Vila Fernando é uma típica localidade Alentejana que prima pelo sossego e pela tradição.
Em termos arquitetónicos, Vila Fernando apresenta a típica Igreja Paroquial dedicada a Nossa Senhora da Conceição, o Cruzeiro em granito, a Fonte comunitária também em granito de antigas origens, o património megalítico visível por toda a região, como as Antas dos Serrones, e Museu Arqueológico e Etnográfico.

No passado, em 1895, existiu em Vila Fernando a Escola Agrícola de Vila Fernando com o objetivo de receber e educar menores, vadios, mendigos, desvalidos e desobedientes. Esta escola ocupou uma área de 777 hectares, com 7 a 8 hectares de edifícios, destinando-se o restante à exploração agrícola, permitindo a produção a grande escala de trigo, aveia, cevada e centeio e de legumes, vinha e olival. Havia ainda criação de gado e matas de azinheiras e sobreiros cujo objetivo era servir para a engorda dos animais ali criados e também para a produção de cortiça. Em 1901 a sua designação foi alterada para Colónia Agrícola Correcional de Vila Fernando e, em 1925, apenas Colónia Correcional de Vila Fernando.

Atualmente o gigantesco complexo encontra-se encerrado e em significativo estado de ruínas e abandono.

 

Para Comer

 Elvas, para além de terra de bem receber, também é terra de bem comer. Por ali, delícias alentejanas, como, o bacalhau dourado, as migas, o ensopado de borrego, o gaspacho e os pratos de caça, são uma constante em qualquer cardápio.

 

Restaurante “Os Elvenses”

Localizado na rua de Évora, em pleno centro da cidade, numa ruela estreita, o espaço oferece gastronomia regional deliciosa. Num espaço pequeno, mas acolhedor, fomos presenteados com as afamadas migas alentejanas com carne de porco e para sobremesa Sericaia com Ameixa de Elvas. Para dois adultos e duas crianças pagamos pela refeição 44,60€.

Telef. 967 419 301 / 967 419 300

Rua de Évora, Elvas

 

Adega Regional

O restaurante Adega Regional situa-se na rua de João Casqueiro também numa ruela estreita, o acolhedor e bonito espaço presenteou-nos com comida típica com um toque de inovação. Ali, degustámos, mais uma vez, migas e para sobremesa, como não podia deixar de ser, Sericaia com Ameixa de Elvas. Para dois adultos e duas crianças pagamos pela refeição 52,00€.

Telef. 969 451 566

Rua de João Casqueiro, Nº 22, Elvas

Mais Informações >

 

Para Ficar

Hotel D. Luís Elvas

Hotel 3 estrelas localizado junto ao Aqueduto da Amoreira em plena cidade de Elvas. Dispõe de quartos espaçosos e de um jardim com uma piscina sazonal, renovado em 2016.

Praticamente todos os 83 quartos e 1 suite possuem vistas para o Aqueduto, alguns para o jardim e outros para a área da piscina. Os quartos possuem uma decoração simples, mas aconchegante, e estão equipados com uma televisão de ecrã plano com canais por satélite e ar condicionado. Todos os quartos incluem uma casa de banho privativa com um secador de cabelo e produtos de higiene pessoal gratuitos.

O pequeno-almoço buffet é servido diariamente no Restaurante D. Luís ou no terraço espaçoso com vista para a piscina sazonal. O hotel disponibiliza ainda um bar panorâmico e uma agradável esplanada com vista para o Aqueduto.

Para dois adultos e duas crianças pagamos 100€/ noite com pequeno almoço em setembro.

Av. de Badajoz, Elvas

Telef. 268 636 710

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Sobre

Olá, o meu nome é Carla Ferreira. Vivo em Viseu com a minha família, o marido Leonel e as filhas Sofia e Francisca.

Somos apaixonados pelo mundo, pela Natureza, pelas pessoas, culturas e tradições. Somos inquietos, sempre com uma vontade enorme de explorar mais e mais, de estar constantemente à procura. Privilegiamos muito o conhecimento, a valorização, a preservação e a sustentabilidade do planeta Terra. 

Explorar o mundo e partilhá-lo com as pessoas são das coisas que mais gostamos de fazer.

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