Carla Ferreira

Carla Ferreira

Concelho de Freixo de Espada à Cinta – Bragança

#Continuandoàprocura de regiões verdadeiramente encantadoras em Portugal, o Douro assume-se como uma das mais bonitas regiões do país.

No seio desta paisagem moldada pela força da Natureza, numa geometria quase a roçar a perfeição, insere-se um bonito concelho de seu nome Freixo de Espada à Cinta, cuja localização fronteiriça ditou uma enorme importância para a história de Portugal.

A somar à tranquilidade de uma das mais remotas localidades de Portugal, a par com o Douro Internacional, à vila histórica que nos fez viajar no tempo, às praias fluviais, à simpatia das suas gentes, à excelente gastronomia, e um sem número de atividades para praticar, encontrámos um concelho repleto de experiências e paisagens únicas.

Freixo de Espada à Cinta foi a anfitriã desta viagem que fizemos em outubro de 2019, ao qual não ficamos indiferentes. Os prados, as vinhas, os olivais e os laranjais, produzem todo o tipo de cores e aromas que conferem uma peculiaridade deslumbrante, que culmina com o espetáculo das amendoeiras em flor. Os nossos olhos ficaram extasiados, tamanha é beleza da região. Vimo-nos assim, num lugar invulgar e único onde relaxamos o espírito e tranquilizámos a alma.

O nome peculiar do concelho está associado a várias teorias e lendas, no entanto, a que ganha mais força poderá resultar do brasão do nobre Feijão, fundador da localidade em 977, que mostrava uma árvore de freixo e uma espada embainhada. Diz-se, por ali, que o concelho terá ganho o nome mercê de um fidalgo que escolheu descansar à sombra de um freixo, tendo nele pendurado a arma. Também há a versão, de que teria sido o rei D. Dinis, que por ali passou no encalço do filho Afonso Sanches e, de passagem por esta zona deitou-se a descansar à sombra de um grande freixo e ali pendurou a sua espada.

Nós iniciamos a visita a Freixo de Espada à cinta, pela lindíssima estrada, que ladeia o Douro, entre Barca d´Alva e o centro da vila.

A vila em si é pequena, mas há muito para explorar. Nesse dia aproveitámos o que dele restava para dar um pequeno passeio pelas principais ruas da localidade. Para pernoitar escolhemos as confortáveis e acolhedoras Casinhas de São Francisco, localizadas no centro histórico, uma escolha muito acertada, pois gostámos imenso.

No dia seguinte, começamos o dia com um fabuloso passeio no rio Douro Internacional, a partir da praia fluvial da Congida até La Code (Mieza), com a duração de 2h 30m. Almoçámos maravilhosamente bem no restaurante Cinta d´Ouro, em plena vila, e à tarde percorremos o centro histórico.

Percorrer o centro histórico é passear por ruas estreitas e casas modestas, com flores à porta e as janelas manuelinas que a fazem designar de “a vila mais manuelina de Portugal”, por ostentar tantas marcas deste estilo artístico. A explicação reside no refúgio que muitos judeus espanhóis ali encontraram quando fugiam da Inquisição.

 

Para Ver

Manuelino – Judaísmo

Freixo de Espada à cinta é considerada por muitos como a “Vila mais Manuelina de Portugal”, o que causa alguma estranheza, pois como foi possível, numa localidade tão remota, desenvolver-se e manter até aos nossos dias esta forma de expressão artística, rica em decoração e cara.

Toda esta qualidade e quantidade tem uma explicação lógica. Foi na segunda metade do século XV que nesta vila se fixaram inúmeras famílias judias, que sendo na sua maioria comerciantes, tinham o numerário suficiente para a compra de obras de arte aos mestres pedreiros. Assim, desta forma pode-se admirar nas ruas, uma agradável composição deste estilo artístico, do mais sóbrio ao pormenor mais elevado.

Freixo Duarte de Armas

Este freixo tem idade superior a 550 anos e é muito acarinhado pela população. Está bem ligado à vila de Freixo de Espada à Cinta devido, ao nome, à história, longevidade e referências nas lendas.

Foi desenhado por Duarte de Armas (1510), no livro “Livro das Fortalezas”, que contém 55 castelos junto a Espanha. A obra é uma importante representação militar, urbanística e etnográfica, permitindo conhecer melhor a época do rei D. Manuel I.

Devido à sua débil condição, foi recuperado e propagado (2014-2016). Os clones dos freixos foram plantados nos jardins da Presidência da República, do Governo Regional da Madeira e Açores e nas capitais de distrito de Portugal (2017).

Pelourinho de Freixo de Espada à Cinta

O pelourinho localizado na Praça do Município, encontrava-se originalmente em frente à Igreja Matriz e apenas no início do século XX foi deslocado. O capitel está gravado com as armas nacionais e outros elementos heráldicos da vila. Conserva inferiormente, aros de ferro com argola e superiormente, os ferros de sujeição, em forme de cruz. Encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1922.

Igreja Matriz de Freixo de Espada à Cinta

          

Pensa-se que sua construção deverá ter-se acontecido no reinado de D. Manuel I. Possui três naves de paredes grossas feitas de pedra granítica, reforçadas por contrafortes e aspetos ornamentais que evidenciam uma forte influência manuelina. No interior há pinturas e retábulos de talha dourada da autoria da escola de Grão Vasco ilustrando cenas da vida da Virgem. Está classificada como Monumento Nacional desde 1910 e em 1938 sofreu obras de restauro.

Igreja da Misericórdia

De provável construção no século XVI, com fachada voltada para o adro da Matriz de uma feição simples, mas em contrapartida o interior apresenta um patente valor arquitetónico.

Castelo de Freixo de Espada à Cinta

Com existência documentada desde o século XIII, é um dos castelos mais antigos da região. Atualmente pouco resta da antiga fortaleza, sendo o principal vestígio a torre heptágona, chamada de Torre do Galo, e alguns troços das muralhas. Os vestígios foram considerados Património de Interesse Público em 1955. Terá sobrevivido ao tempo porque foi aqui que sempre os sinos tocaram, já que a Igreja Matriz não possui torre sineira.

Desde 2015 que se fazem obras no local no sentido de se conhecer mais deste velho castelo. Os trabalhos pretendem deixar a descoberto o antigo perímetro, que terá cerca de 300 metros, incluindo oito torres defensivas. Uma curiosidade interessante é o facto de algumas das pedras usadas na construção original do castelo se encontrarem espalhadas pelas casas mais antigas da localidade.

Museu da Seda

     

Museu da Seda e do Território, lugar dedicado à história do concelho desde o início da ocupação humana e ainda à tradição da seda, com artesãs a trabalhar ao vivo, extraindo dos casulos os filamentos da seda.

Casa onde nasceu Guerra Junqueiro

     

Espaço evocativo do poeta Guerra Junqueiro, que ali nasceu em 1850, criado na sua casa natal.

Museu Regional Casa Junqueiro

          

Casa construída pelo pai de Guerra Junqueiro, ainda hoje na posse de descendentes diretos, onde agora se encontra a mostra que leva o seu nome.

O piso térreo foi recuperado por forma a poder ficar patente ao público uma mostra de carácter regional. Uma cozinha e um quarto típico de uma habitação rural do século XIX, onde foram utilizados mobiliário, peças decorativas e objetos de uso diário que ainda se encontravam na casa.

Há também uma outra zona, destinada aos mais jovens, onde através de painéis e de alguns utensílios se explica como são executadas algumas tarefas domésticas em extinção, tais como o fumeiro, os queijos, secagem de figos e outros.

Por último, possui ainda uma área polivalente para eventos culturais e uma outra para venda de artigos regionais.

Cabecinho – Srª Montes Ermos

Lugar emblemático que representa e fé e a devoção da população de Freixo de Espada à Cinta pela Srª dos Montes Ermos.

Da pequena capela, localizada no cimo do monte, observa-se um cenário composto pelas cores da Natureza e pela história, com uma torre heptagonal, o convento de São Filipe de Néri e uma aldeia repleta de simplicidade.

Praia Fluvial da Congida

          Praia localizada nos arredores de Freixo de Espada à Cinta, a cerca de 2km do centro da vila. É um dos locais mais emblemáticos de todo o concelho. Está envolta na zona Internacional do Douro, no seio de uma paisagem agrícola, maioritariamente constituída por laranjais, convidando a momentos de lazer e divertimento.

É a partir deste local que saem os barcos que fazem o passeio no Douro Internacional.

Gravuras rupestres do Colado (Mazouco)

Gravuras rupestres com três elementos zoomórficos obtidas pela conjugação das técnicas de picotagem e abrasão na rocha de xisto, nos quais se destacam, com cerca de 60 cm, um cavalo. As outras duas sofreram com o tempo, sendo atualmente difíceis de interpretar. Foram encontradas numa área elevada, na margem da ribeira de Albagueira, primeiras gravuras rupestres paleolíticas encontradas ao ar livre em Portugal em 1981.

Calçada de Alpajares ou Calçada dos Mouros (Poiares)

Localizada na freguesia de Poiares, trata-se de um trecho de uma antiga estrada romana com cerca de 800 metros, construída com lajes de xisto e pequenos seixos, com alguns degraus. Foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1977 e é conhecida como Calçada do Diabo devido a uma lenda popular que atribui a sua construção ao Diabo que a construiu em troca da alma de um viajante apressado.

Penedo Durão (Poiares)

Promontório de xisto, nome de uma elevação, de cerca de 550 metros de altitude, que se constitui como um miradouro natural, com umas vistas deslumbrantes sobre o Douro Internacional. É um local para observar aves como, Grifos, Abutres do Egipto, Falcões Peregrinos e outras aves de menor dimensão. O acesso é simples, está devidamente sinalizado e é feito por uma estrada que conduz a um parque de estacionamento, perto da localidade de Poiares.

Assumadouro (Poiares)

Local situado numa região onde a Natureza assume um estatuto mais selvagem. Assumadouro olha para o Douro que serpeiteia e segue o seu curso navegado por barcos que atracam em Barca d´Alva.

Num autêntico cenário cinematográfico, possui três elementos: a água, a fauna e flora, e o céu, onde predominam espécies que vivem nesta área do Douro Internacional.

Carrascalinho (Fornos)

Local situado no ponto mais estreito do Douro Internacional, numa região extremamente escarpada, formando pequenas cascatas que deslizam pelo terreno rude. Carrascalinho é um local emblemático onde podemos observar a maior extensão de Lótus de toda a Europa. E admirar o voo da Águia Bonneli, a Águia Real e Águia Cabrita.

Capela do Senhor da Rua Nova (Fornos)

Pequena capela localizada na freguesia de Fornos, construída em 1743, também conhecida como Capela de Santo Cristo. Enquadra-se na tipologia das capelas que em meados do século XVIII surgiram na região de Bragança. Possui planta quadrangular e elementos decorativos com cenas bíblicas, nomeadamente da Paixão de Cristo, no interior. Foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1984.

Quinta dos Castelares

Propriedade de 250 hectares, dos quais 140 de vinha, que se perdem de vista na Serra de Poiares, sob o comando do empreiteiro Manuel Caldeira e do genro Pedro Martins, que há ano e meio inauguraram uma adega moderna e panorâmica.

Manuel Caldeira colaborou na recuperação da códega de larinho, uma casta autóctone que estava em desuso.

Quinta de Maritávora

Esta quinta está localizada à entrada de Freixo e foi fundada por José Junqueiro Júnior, pai do poeta Guerra Junqueiro. Manuel Gomes da Mota, trineto de Guerra Junqueiro, quem gere a pequena empresa, com 15 hectares de vinha e 35 hectares de olival.

Adega de Freixo de Espada à Cinta

Mesmo não sendo uma quinta, também se pode visitar a Adega de Freixo, onde se faz o vinho Montes Ermos. O presidente da cooperativa, José Santos, representa 700 produtores de vinho, azeite e azeitona.

Para além do vinho generoso, a Adega de Freixo dedicou-se também ao vinho do Douro e hoje vende um milhão de garrafas e outro milhão de bag-in-box, e acumula prémios internacionais. Tanto os vinhos, como os azeites e azeitonas podem ser adquiridos na loja da cooperativa, aberta todos os dias.

Festa de Nª Sra. dos Montes Ermos

Em meados de Agosto e, por cinco dias, realiza-se a Festa de Nª Sra. dos Montes Ermos, com missas, largada de foguetes, atuações musicais de diversos géneros, procissões.

Para Comer

 Restaurante Cinta D´Ouro

Restaurante que apresenta uma gastronomia tradicional de regalar o paladar, com pratos típicos da região e ainda uma variedade de outros pratos, sobretudo, de bacalhau.

O espaço, instalado à entrada da vila, em frente ao Mercado Municipal, oferece boa comida e bons vinhos num ambiente simples, mas muito acolhedor, e um atendimento simpático e cordial, sob o comando do chef Diego Ledesma.

Tudo começou em fevereiro de 1990, numa tarde em que a terra estava molhada, cheirava a lume e a futuro, que os proprietários inspirados pelo Grande Douro, deram início a este projeto de restauração. Primeiro foi o restaurante com a sua esplanada. A seguir a hospedaria simples e confortável e, por último, a loja com grandes tesouros.

Mais Informação >

 

Para Ficar

Casinhas de São Francisco

Com uma localização privilegiada, no centro histórico da vila, o espaço é composto por dois apartamentos, um T1 e um T2, espaços muito bem aproveitados e que convidam à descontração e relaxamento. As casinhas foram recuperadas, mantendo a estrutura original, com paredes de pedra e, paredes e tetos em madeira e tabique. Possuem ar condicionado e estão elegantemente decoradas, tendo por base as cores da oliveira, cultura que é marca do clima e costumes mediterrânicos nas encostas do rio Douro e são muito confortáveis e acolhedoras.

Mais Informação >

 

Para Fazer

Passeio de barco no Douro Internacional

          

Numa promoção conjunta do município de Freixo de Espada à Cinta e o município de Vilvestre, em Espanha, para desenvolvimento turístico da região, experiencia-se, por cerca de 2h, um passeio fabuloso no seio de paisagens encantadoras, explicado pela guia Patrícia.

Entre a praia fluvial da Congida e La Code (Mieza), percorremos uma viagem abraçada por dois Parques Naturais: Douro Internacional e Las Arribas del Duero. Os nossos olhos avistaram um território onde o homem se assumiu como construtor da paisagem, cultivando amendoais, olivais, pomares e vinhas.

As arribas ofereceram-nos um “excesso” de Natureza, onde apeteceu ficar horas sem fim, onde tudo é contemplativo, perante o enigmático Pinheiro solitário, bosques de zimbro, Carrascos e Lodões, que espreitam as margens dos rios.

Ao longo do Douro observámos uma sensível comunidade de aves que escolheu este lugar para seu habitat: a Cegonha Negra, o Grifo, a Águia Real, a Águia de Bonneli, o Milhafre e o Abutre do Egipto.

Um passeio fabuloso, que muito recomendámos, trata-se de um mundo à parte, um mundo que se mantém esquecido e que se quer assim… sublime!

Horário:

Entre novembro e março: Não se realiza (apenas viagens organizadas)

1 setembro a 1 novembro: Fins de semana e feriados – 10h 30

Segunda a sexta (apenas viagens organizadas)

1 dezembro a 28 fevereiro: (apenas viagens organizadas)

Semana Santa: Viagens diárias – 10h 30

15 a 31 julho: viagens diárias – 10h 30

1 a 31 agosto: Viagens diárias – 10h 30 e 16h

Preços:

Adultos – 15€

Crianças (4 a 13 anos) – 8€

Telef. 279 653 480

     

 

Mapa de Freixo de Espada à Cinta

Mais Informações >

Share this post

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on google
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on print
Share on email

Sobre

Olá, o meu nome é Carla Ferreira. Vivo em Viseu com a minha família, o marido Leonel e as filhas Sofia e Francisca.

Somos apaixonados pelo mundo, pela Natureza, pelas pessoas, culturas e tradições. Somos inquietos, sempre com uma vontade enorme de explorar mais e mais, de estar constantemente à procura. Privilegiamos muito o conhecimento, a valorização, a preservação e a sustentabilidade do planeta Terra. 

Explorar o mundo e partilhá-lo com as pessoas são das coisas que mais gostamos de fazer.

Artigos Recentes

Like Me on Facebook

Follow me on Instagram