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Galiza - Espanha

 

#continuandoàprocura  das maravilhosas paisagens da Galiza, e porque gostámos muito de fazer road trips, reservamos alguns dias no verão de 2017 para mais uma aventura de carro que nos levou a locais únicos no norte de Espanha.

A Galiza é uma região organizada enquanto comunidade autónoma espanhola, com o estatuto de nacionalidade histórica. Situada no noroeste da Península Ibérica, ocupa o território histórico da antiga Galécia e do Reino da Galiza.

 

É formada pelas províncias da Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra. Geograficamente, limita a norte com o mar Cantábrico, ao sul com Portugal (Minho e Trás-os-Montes), a oeste com o oceano Atlântico e a leste com o Principado das Astúrias e Castela e Leão (províncias de Samora e de Leão). À Galiza pertencem o arquipélago das ilhas Cies, o arquipélago de Ons e o arquipélago de Sálvora, bem como as ilhas de Cortegada, Arousa, as Sisargas ou as Malveiras.

 

1.º Dia

Como é hábito, saímos cedinho de casa rumo a Caminha no norte de Portugal, local escolhido para atravessar a fronteira para Espanha.

Em Caminha existe uma fronteira natural que é o rio Minho, que separa os dois países. Como não há ponte a fazer a ligação, a única possibilidade para o fazer é usar o Ferry Boat, numa travessia que dura aproximadamente 30 minutos.

 

Preços:

Automóvel até 5 lugares €3,50
Automóvel + de 5 lugares €4,50
Passageiro €1,50
Passageiro menor (4/13) €1,00
Automóvel com reboque €9,00
Automóvel com atrelado €5,50
Autocaravana €7,00
Camioneta até 3,500Kg €5,00
Camião + de 3,500Kg €7,00
Táxi €3,00
Bicicleta €2,00
Ciclomotor €2,00
Motociclo €3,00

 

Horários:

O horário do ferry-boat Santa Rita de Cássia encontra-se condicionado às amplitudes das marés.

Informações: 258 092 564

 

Chegados à terra de “nuestros hermanos” seguimos junto à costa até Baiona, num percurso de 30Km sempre com o mar a acompanhar, uma estrada inserida numa bonita paisagem que conjuga o mar com a montanha, um contraste que adorámos.

Ao chegarmos a Baiona e se olharmos em direcção ao oceano, avista-se ao longe um conjunto de ilhas com alguma altitude, uma visão deslumbrante. As ilhas que se observam são as ilhas Ciés e um pouco mais para norte a ilha de Ons. Parámos para tirar algumas fotografias, pois a paisagem assim o exige, apesar do forte vento que se fazia sentir.

 

Baiona é um dos municípios que fazem parte da província de Pontevedra. É uma das mais belas localidades desta região e é quase obrigatório perder-se pelas ruas no «casco» histórico, deslumbrar-se com a vida deste local e as embarcações ao longo do passeio marítimo. Baiona respira mar, tradição e turismo, uma localidade muito pitoresca, muito bonita.

          

 

Normalmente quando fazemos uma road trip optámos por dormir em parques de campismo, pois somos grandes apreciadores do contacto com a natureza e de uns dias “simples”, sem grandes comodidades materiais. Desta vez também não foi exceção e por isso escolhemos para a primeira noite o Camping Bayona Playa, um parque muito bom, com boas parcelas para colocar as tendas, bungalows, boas infraestruturas, piscina, restaurante, supermercado, com uma localização fantástica e com acesso direto à praia, o que é maravilhoso.

          

 

2.º Dia

O dia começou cedo, por causa da claridade que entrava na tenda, o que é bom, pois aproveitámo-lo mais e melhor. Após um breve pequeno almoço, dirigimo-nos para o cais para apanhar o barco que nos levou às tão faladas ilhas Ciés.

 

Elas pertencem ao Parque Nacional Marítimo Terrestre das Ilhas Atlânticas da Galiza, localizadas na foz da Ria de Vigo formando uma barreira natural entre o estuário e o mar.  O arquipélago é formado por três ilhas principais: Monteagudo ou Norte, Montefaro, unidas à primeira pela areia de Rodas e San Martiño ou Sul. Existem várias rotas perfeitamente sinalizadas para percorrer as diferentes partes da ilha e visitar os pontos mais espetaculares . Possui algumas praias paradisíacas, entre as quais se destaca a praia de Rodas, descrita pelo jornal britânico The Guardian como a melhor praia do mundo. Porque é um espaço natural protegido, há uma limitação de visitantes, por isso é importante comprar o bilhete antecipadamente.

 

Existem várias companhias a operar para as ilhas, escolhemos a companhia Cruceros Rias Baixas e embarcamos numa viagem que dura cerca de 45 minutos oceano dentro. Na época alta o bilhete tem um custo de 18€ por adulto e 6€ para as crianças.

Quando o barco atraca no cais das ilhas Ciés nota-se um grande movimento de pessoas que se deslocam em vários sentidos à procura dos lugares mais bonitos. O sentimento é de admiração, admiração por tamanha beleza, as ilhas são lindíssimas, não há palavras para caracterizar o que se observa.

 

De manhã resolvemos ficar pela praia e dar um mergulho. Escolhemos a praia de Rodas por ser a maior e a mais central. O areal é bastante extenso, mas a água é muito fria, pouco convidativa a banhos, mas é muito límpida e de um azul fantástico. Almoçamos umas sandes que levámos e convém referir que as ilhas apenas dispõe de um restaurante, sempre muito cheio, um bar e supermercado no parque de campismo, para fazer refeições.

          

 

À tarde fomos explorar a ilha com a ajuda de um mapa que é distribuído aquando da chegada junto ao pequeno posto de turismo. Existem vários percursos para conhecer as ilhas, nós optámos pela Ruta 2, que vais desde a praia de Rodas até ao farol da Porta, se bem que não conseguimos chegar ao farol porque as “pernitas” da mais pequena acusaram cansaço.

          

 

Com o regresso marcado, dirigimo-nos novamente para o cais, para trás deixámos um local surpreendente, dotado de uma beleza ímpar.

A segunda noite foi passada no mesmo parque de campismo.

 

3.º Dia

Mais uma vez bem cedinho, voltámos à estrada para dar continuidade à nossa road trip. De Baiona seguimos por Vigo, uma grande cidade do norte de Espanha que ficará para explorar numa próxima oportunidade, Pontevedra, Sansenxo, La Lanzada, até à ilha de Arousa, situada na ria de Arousa, próximo destino para dormir.

          

          

 

Chegámos ao parque de campismo Camping Playa Paisaxe I que fica localizado na praia de Terron, um parque mesmo em cima da praia, com parcelas razoáveis, no entanto, algumas expostas ao sol, piscina, jacuzzi, restaurante, supermercado, parque infantil, bungalows e vistas para a ilha de Arousa. Pode-se aceder a esta ilha através de uma ponte.

          

 

Instalámo-nos, e o resto do dia foi para conhecer a ilha de Arousa com as suas magníficas praias e no final do dia relaxamos um pouco na praia e na piscina do parque de campismo.

          

 

4.º Dia

Neste dia decidimos fazer um recuo no percurso para explorar melhor a região O Grove, a ilha da Toxa e a fantástica praia de La Lanzada. A ilha da Toxa é uma pequena ilha também situada na ria de Arousa acessível por uma ponte à pequena península O Grove.

A Ria de Arousa é a mais extensa das rias da Galiza. Nestas águas vivem alguns dos melhores mariscos da Europa, entre os quais se encontram as famosas amêijoas de Carril. Além disso, com a foz dos rios Ulla e Umia, esta terra converte-se num jardim. De fato, aqui produzem-se alguns dos melhores vinhos brancos de Espanha, dentro da D.O. Rias Baixas. E, além disso, por toda a ria, praias e mais praias, todas lindíssimas. A Toxa, com as suas termas, é uma pequeníssima ilha com fantásticos pinhais elegantes hotéis, um local quase que exclusivo!

          

 

Daqui dirigimo-nos para O Grove, uma pequena península entre a ria Arousa e o oceano Atlântico. Há uma estrada que rodeia toda a península e que vale a pena conhecer, pois passa por praias muito bonitas. Uma delas é a praia das Pipas, uma pequena enseada rodeada de rochedos e pinhal. A água é muito cristalina e azul, muito bonito! A praia Grande também é outra que merece uma visita.

          

 

Depois da volta à península de O Grove, fomos passar a tarde à fantástica praia de La Lanzada, maravilhosa mesmo, pois para além de ser enorme é banhada por um mar, embora gelado, de uma tonalidade lindíssima, um azul turquesa esplendoroso!

 

A praia de La Lanzada é uma praia aberta com mais de 2km e uma das mais populares de Galiza, daí ser muito concorrida, e por este motivo estar sempre apinhada de gente, no entanto, como o areal é tão grande há espaço para todos. É também uma das melhores praias Galegas, rodeada por uma zona dunar com ondas fortes e muito vento. É muito procurada pelos turistas, para fazer surf, windsurf, ou simplesmente passar um dia de praia. Disponibiliza vários serviços de apoio ao longo de toda a extensão da praia. No extremo Sul encontramos a «Ermida de Nosa Señora de A Lanzada», um santuário ligado à fertilidade.

 

No final do dia voltamos ao parque de campismo, mas ainda fomos jantar a Vila Nova de Arousa, uma pequena cidade desta região, mas muito completa.

 

5.º Dia

De volta à estrada, um novo dia nos esperava, mais e novos locais nos esperavam. Aliás, este foi um dos dias que mais ansiávamos, uma vez que o percurso nos levaria a Santiago de Compostela, uma cidade que há muito queríamos conhecer.

Assim, deixámos um pouco a linha da costa e dirigimo-nos para Santiago de Compostela, cidade mundialmente conhecida pelas peregrinações religiosas, é o destino final de milhares de peregrinos que todos os anos fazem o “Caminho de Santiago”, quer por Portugal, quer pelo Sul de Espanha, quer por França. Mas é também o destino ideal para uma simples escapadinha de fim de semana.

 

É uma cidade Património da Humanidade desde 1985, a mais cosmopolita da Galiza, aqui há de tudo. No centro histórico, a Catedral e o Pórtico da Glória. Praças emblemáticas como a do Obradoiro, a Quintana e a d’O Toural. Dezenas de igrejas, conventos e palácios. Românico, gótico e barroco. E também lojas, bares, restaurantes e um bonito Mercado Hortícola a transbordar de produtos frescos.

Além disso, em pleno centro, a Alameda com as suas árvores de camélias e o Passeio da Herradura, com uma estupenda vista da catedral. E nas margens do Sar, a Colexiata de Santa María e as suas impossíveis colunas inclinadas. Santiago é uma cidade que vale mesmo a pena visitar!

 

A oferta culinária de Santiago é muito rica e variada. Nas ementas, há uma amplíssima variedade de mariscos e peixes, na qual destaca o polvo “à feira”.

Para comer, a oferta é muito variada em toda a cidade mas destaca-se, pela quantidade de locais com opções para todos os bolsos, a zona situada nas redondezas da catedral, em especial nas ruas Franco e Raíña, onde quase todas as portas são de restaurantes. Outras boas opções aparecem na rua de la Troia e nas redondezas. Na zona de San Roque e da Praça das Penas existem vários locais com muito bons menus. Por outro lado, as ruas San Clemente e Carretas têm restaurantes afamados. Nós escolhemos o restaurante Martingala, uma taperia com deliciosas tapas, muito próximo da Catedral. No final do almoço, voltámos à estrada em direcção novamente ao litoral.

          

 

Dirigimo-nos para Noia, daí para norte a estrada segue, quase sempre, junto ao mar, portanto, podem imaginar a beleza das paisagens por onde viajámos!

 

Passámos por Freixo, Esteiro, Muros, Louro, visitando o Parque Natural Monte e Lagoa de Louro, a fantástica praia de Area Maior.

          

 

Seguiu-se Larino, Lira e Carnota. Estas duas últimas localidades são conhecidas por causa dos maiores espigueiros do mundo que ali foram construídos. Aliás toda esta zona é povoada por imensos espigueiros, penso que nunca tinha visto tantos.

          

 

A praia da Carnota é também uma outra praia da Galiza fantástica que merece uma paragem, tal como a praia de Pindo. Dotada de uma beleza ímpar, esta é uma das praias mais bonitas que já vimos, com um areal é enorme, tranquilo e água azul turquesa lindíssima, uma descoberta surpreendente, um local quase que isolado que conjuga sossego com paisagem de montanha e mar. Adorámos!

         

 

Seguiu-se Fervenza de Ézaro, também com uma praia linda, mas o mais peculiar é mesmo é a Cascata de Ézaro, numa das mais belas montanhas da Galiza, o Monte Pindo, uma montanha considerado sagrada e mística, pelas suas lendas e histórias encantadas. Esta majestosa cascata que se traduz na foz do rio Xallas precipitando no oceano Atlântico de uma altura superior a 40 m. Um verdadeiro tesouro natural na Galiza, com paisagens exuberantes sobre Finisterra.

          

 

Depois desta paisagem, seria difícil encontrar outra assim, mas não! De facto, a Galiza é surpreendente em todos os aspectos, mas as belezas naturais, nós que somos grandes apreciadores, são únicas.

Estando naquela região não poderíamos seguir viagem sem antes conhecer o tão afamado Cabo Finisterra, também conhecido como o “Fim do mundo”, um cabo localizado num local de alguma altitude, mas que oferece umas vistas deslumbrantes sobre o grandioso oceano Atlântico. É neste local que está o km zero do “Caminho de Santiago” da costa.

          

 

Com o dia a terminar era hora de nos dirigirmos, deixando a linha da costa, para a Corunha, cidade onde pernoitamos pela última vez em Espanha. Ficámos no parque de campismo Camping Los Manzanos em Santa Cruz de Oleiros, próximo da Corunha. Não tivemos oportunidade de explorar a cidade, ficará para uma próxima oportunidade.

 

6.º Dia

O último dia da nossa viagem começou uma vez mais bem cedinho. Antes do regresso a casa, tínhamos em mente conhecer alguns locais no norte de Espanha, junto ao mar Cantábrico.

Assim, e de volta à estrada, passando por Sada, fomos em direcção a Punta de La Estaca de Bares, o ponto mais a norte da Península Ibérica, uma falésia proeminente, um local muito bonito que oferece uma vista estonteante sobre o mar Cantábrico.

          

 

Seguimos em direcção a Porto de Bares, uma pequena localidade junto ao mar com uma linda praia no sopé de uma montanha rodeada de pomares. Decidimos caminhar um pouco na praia e averiguar a temperatura da água, que pensávamos ser ainda mais fria, mas não! Curiosamente, a temperatura da água do mar Cantábrico é bastante agradável, convidativa por isso a banhos. De referir também que a praia estava quase deserta, como a maior parte delas nesta região. De facto, ficámos encantados com a tranquilidade que se vive naquelas paragens da Galiza, um sonho para quem procura isolamento e sossego!

          

 

De volta à estrada, seguimos para Foz à procura da famosa praia das Catedrais de que tanto já tínhamos ouvido falar.

Na Galiza, quando a potência do mar e a paciência do tempo se juntam, o resultado é uma obra de arte... a praia das Catedrais, um monumento natural com uma dimensão deslumbrante.

 

Nada melhor do que passear entre arcobotantes de 30 m de altura, entrar nas grutas com cúpulas rematadas por picos, descobrir insólitas perspetivas de arcos dentro de outros arcos. Ou simplesmente, deixar-se levar pelos corredores de areia entre muros de ardósia, como numa imponente e caprichosa nave central.

O degrau que a denominada cornija cantábrica possui, alcança aqui categoria de monumento geológico. O mar esculpiu nas falésias um verdadeiro repertório arquitetónico de arcos, colunas e abóbadas que levaram a batizar turisticamente o espaço entre os areais de Augasantas e Carricelas como Praia das Catedrais.

 

O acesso é fácil, existe um passeio arranjado na beira superior e painéis informativos. No entanto, deixar a nossa pegada na areia só é possível durante a maré baixa. Contudo, há a referir um aspecto que nos desagradou e muito, que foi o facto de não podermos ir ao areal, pois as visitas nesse dia estavam condicionadas, uma vez que durante o verão estão sujeitas a reserva antecipada, facto que desconhecíamos.

No final do dia foi tempo de regressar à estrada para voltar a casa. Seguimos pela auto estrada passando por Lugo, Ourense e Portugal pela fronteira de Vila Verde da Raia, próximo de Chaves, até Viseu.

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