Nas geladeiras coloridas, não pode faltar a “bejeca”, os pacotes de batatas fritas, e outras iguarias que habitualmente se comem nestes dias de ócio. Para o lanche, a inquestionável Bola de Berlim. Afinal, fizeram uma “alimentação saudável” ao longo do ano para poderem comer todas as bolas que passam diante dos seus olhos.

Foi numa praia a Sul, mas podia ser numa outra qualquer. A maré desce, a temperatura sobe e as dinâmicas familiares multiplicam-se.
O dia já vai a meio. “Estas batatas de orégãos sabem-me a caracóis”, diz uma veraneante enquanto puxa a toalha rosa e branco às riscas para a estreita sombra do guarda-sol. Nem o calor extremo que se vive por estes dias, manda as pessoas para casa. Estão de férias, vão à praia e querem a todo o custo voltar morenos para a “terra”, sob pena de alguém pensar não terem ido para lado nenhum.
Nas geladeiras coloridas, não pode faltar a “bejeca”, os pacotes de batatas fritas, e outras iguarias que habitualmente se comem nestes dias de ócio. Para o lanche, a inquestionável Bola de Berlim. Afinal, fizeram uma “alimentação saudável” ao longo do ano para poderem comer todas as bolas que passam diante dos seus olhos. “Depois faço dieta em casa”, é a afirmação que mais se ouve nesta época do ano. Afinal de contas, no verão tudo é permitido e nas férias muito mais.
O vendedor ambulante assolado pelo calor, pousa as arcas de esferovite na areia e pergunta, “quantas são?”. A família nem é assim tão grande e lá foram 20€. Até as Bolas de Berlim sofrem com a inflação.
A tarde vai passando e com ela vão passando também os vendedores ambulantes. As costas e os braços são pequenos para o peso que carrega. Nesse momento, a mãe interrompe o seu descanso para “ver” as novidades. Há sempre algo que faz falta. E a praia é um bom local para regatear pechinchas. “Ó mulher já vais comparar outro vestido? Tens o guarda-fatos cheio deles”, atira o marido ao mesmo tempo que lança aquele olhar para a esposa.
Alheios às coisas dos adultos andam os mais novos praia abaixo, praia acima, transportando nos baldes a água para fazer mais um castelo de areia. “Quem quer brincar comigo?”, pergunta um dos cachopos.

Aliás, esta é uma das perguntas que mais se ouve das bocas dos mais novos. Os progenitores vão, enquanto conseguem, fingindo não ouvir. Estão de férias e depois de um longo ano, merecem algum tempo de repouso e sossego.
Normalmente, é o pai quem assume o papel de animador social, a mãe permanece deitada, afinal o corpo branco estendido no areal, há de chegar moreno a casa.
Há quem traga os avós. Uma ajuda extra sempre bem-vinda. São estes quem muitas vezes auxiliam a gestão familiar, também em termos financeiros. Uma coisa é certa, estes estão cá, mas muitos ficam esquecidos entre as paredes das suas casas lá na “terrinha”.
Ao longe, o Sol começa a encaminhar-se para outros destinos. “Essa (entenda-se a foto), ficou muita gira, depois envias me? Quero publicar”, refere outra veraneante.
É isto o tempo todo, vá quase todo. Se não registaste, não aconteceu. Pior, os amigos, mas sobretudo, os inimigos não viram. Então, não sabem que estás a usufruir de um pequeno espaço, caríssimo, no Sul do país, de preferência com vista mar. Nada que um bom Photoshop, ou o condomínio vistoso ao lado não resolva.
Com o dia a terminar, é hora de fechar os guarda-sóis. Começa a azáfama de reunir todo o material que se levou para a praia. “Veste os teus filhos e pega aí nas coisas, ainda temos de ir tomar banho, a que horas vamos jantar?”, barafusta uma senhora. “Ó mulher cala-te, estás sempre a reclamar, nem aqui!”.
É isto a maior parte dos dias. São as férias, é outro sítio, mas a rotina é a mesma.




















