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Carla & Leonel

Piqueniques de Verão – Onde a comida abunda e o caos impera

Hoje vamos conversar sobre os gloriosos piqueniques de verão, esse ritual português onde a comida é rainha, a sombra é disputada como território sagrado e toda a logística parece saída de uma operação militar.

Há quem diga que os piqueniques de verão são momentos de convívio, alegria e comunhão com a natureza. Mentira piedosa. São, na verdade, uma espécie de congresso gastronómico ao ar livre onde famílias e amigos se reúnem para discutir o tema mais importante da humanidade: quem trouxe o quê e se é suficiente. Porque nunca é suficiente. Mesmo quando há comida para alimentar três aldeias.

Piqueniques de Verão

Tudo começa com a clássica frase “levo só umas coisinhas, nada de especial.”
E depois aparece alguém com uma geleira do tamanho de um Fiat Panda, duas toalhas de mesa, três tupperwares de arroz, um frango assado inteiro, muitos sacos de batatas fritas, uma tarte de maçã e um saco de pão que parece destinado a um batalhão.

A logística é sempre um espetáculo digno de se ver e de se ouvir. Há quem chegue cedo para “guardar lugar”, como se o pinhal fosse um estádio em dia de final. Estendem toalhas, marcam território com cadeiras de praia e olham desconfiados para qualquer família que se aproxime a menos de dez metros. “Olha aqueles… vêm para aqui.” Como se o espaço tivesse escritura.

Depois vem o momento da montagem. A mesa improvisada, feita de caixas viradas ao contrário, abana como se estivesse a ponderar desistir da vida. Os copos de plástico voam ao primeiro sopro de vento, o guardanapo cola-se ao braço de alguém, e há sempre um tio que declara, com ar de engenheiro civil” isto assim não fica direito, falta aqui uma pedra.” E lá vai ele procurar a pedra perfeita, como se estivesse a restaurar um monumento nacional.

Quando finalmente se começa a comer, instala-se a paz. Ou melhor, instala-se a competição silenciosa para ver quem consegue provar tudo sem parecer guloso.
“Prova só um bocadinho, fiz ontem”, “não, não, come mais, que eu fiz a dobrar”, ou “leva para casa, que isto estraga-se”, são as afirmações que ecoam por entre os pinheiros.
E de repente, todos estão a ser alimentados como se tivessem acabado de sair de um período de hibernação.

Piqueniques de Verão

As crianças, entretanto, correm como se tivessem sido libertadas de uma jaula invisível. Gritam, tropeçam, derrubam bolas, espalham migalhas e perguntam de cinco em cinco minutos se já podem ir ao rio… se houver rio…

“Ainda agora chegámos!”

“Mas eu quero ir!”

“Come primeiro!”

Instala-se um diálogo intenso que teima em não terminar, interrompido pela procura do saca rolhas.

Há sempre um amigo que decide abrir uma garrafa de vinho como se estivesse num anúncio televisivo. O problema é que o saca-rolhas ficou em casa.
“Eu abro isto com uma chave.” “Com uma chave, vais é partir a garrafa.” Cinco minutos depois, há vinho na toalha, na relva e no tio que estava a tentar equilibrar a mesa.

O auge do piquenique chega quando alguém anuncia “vamos tirar uma foto de grupo.”
E todos se levantam, ajeitam o cabelo, escondem o tupperware aberto e tentam parecer frescos, apesar de estarem há duas horas ao sol, a suar e a comer como se fosse a última refeição da vida.

No final, quando tudo está arrumado ou empurrado para dentro de sacos à pressa, alguém diz “temos de repetir isto mais vezes.”
E todos concordam, esquecendo convenientemente o caos, as formigas, o vento, o calor, o vinho derramado e o facto de ninguém saber de quem era afinal o tupperware azul.

Mas é assim o verão, exagerado, barulhento, cheio de comida e histórias que ninguém admite, mas todos adoram repetir.

 

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Sobre

Olá, somos a Carla, o Leonel, a Sofia, a Francisca, e adorámos partir à descoberta do mundo juntos!

Aqui, partilhámos os vários destinos que já visitamos, os hotéis onde ficamos hospedados e os restaurantes que experimentámos. Queremos inspirar quem nos visita, a viajar e a experimentar, pois consideramos que a vida é uma soma de experiências e uma constante procura. Nesta procura, buscamos locais, espaços, gastronomia, cultura, pessoas e, acima de tudo, a felicidade que é poder conhecer, valorizar e preservar o mundo maravilhoso que temos.

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