Carla Ferreira

Carla Ferreira

Ponte da Mizarela – Montalegre

#Continuandoàprocura de locais verdadeiramente incríveis, daqueles em que ficamos boquiabertos, tal é a beleza do mesmo, há um no Norte de Portugal. Chama-se Ponte da Mizarela e nós estivemos lá, em setembro de 2019, para ver de perto e para sentir aquele que é um lugar que há muito queríamos conhecer.

Também conhecida como a Ponte do Diabo, a Ponte da Misarela está situada sobre o rio Rabagão, a cerca de um quilómetro da sua foz no rio Cávado, na freguesia de Ruivães, concelho de Vieira do Minho, distrito de Braga.

Numa envolvência deslumbrante, a ponte está implantada no fundo de um desfiladeiro escarpado acessível por um caminho empedrado, numa caminhada de cerca de 10 minutos desde o local onde se deixam os carros, um parque de estacionamento bastante pequeno.

A Ponte está assente sobre uns penedos, com alguma altitude em relação ao leito do rio, sendo sustentada por um único arco com cerca de 13 metros de vão. Foi erguida na Idade Média e reconstruída no início do século XIX, encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde de 30 de novembro de 1993.

Segundo a lenda local, esta ponte foi construída pelo próprio Diabo:

Havia um mau homem em terras de Além Douro, a quem a justiça encarniçadamente perseguia por vários crimes e que sempre escapava, como conhecedor que era dos esconderijos proporcionados pela natureza. Apertado, porém, muito de perto, embrenhou-se um dia no sertão e, transviado, achou-se de repente à borda de uma ribeira torrencial, em sítio alpestre e medonho, pelo alcantilado dos penedos e pelo fragor das águas que ali se despenhavam em furiosa catadupa. Apelou o malvado para o Anjo-Mau e tanto foi invocá-lo que o Diabo lhe apareceu. ‘Faz-me transpor o abismo e dou-te a minha alma’, disse-lhe. O Diabo aceitou o pacto e lançou uma ponte sobre a torrente. O réprobo passou e seguiu sem olhar para trás como lhe fora exigido, mas pouco depois sentiu grande estrépito, como de muitas pedras que se derrocavam, e ninguém mais ouviu falar da improvisada ponte. Os anos volveram e, enfim, chegou a hora do passamento. Moribundo e arrependido, confessou ao sacerdote o seu pacto. Este foi ao sítio da ponte e tratou igual pacto com o Diabo. A ponte reapareceu e o sacerdote passou, mas tirando rápido, um ramo de alecrim, molhou-o na caldeirinha que levava oculta, três vezes aspergiu, fazendo o sinal da cruz e pronunciando as palavras sacramentais dos exorcismos. O mesmo foi fazê-lo que sumir-se o Demónio, deixando o ar cheio de um vapor acre e espesso, de pez e resina, de envolta com cheiro sufocante de enxofre, ficando de pé a ponte.” (Fonte: Wikipédia)

Dizem que a ponte ficou então com um carácter sagrado. Hoje em dia se diz também que se algo vai mal numa gravidez, a mulher deve pernoitar debaixo da ponte, e a primeira pessoa que pela manhã por ali passar deverá ser o padrinho ou madrinha da criança, e que deverá receber o nome de Gervásio ou Senhorinha.

Há quem diga ainda que a Ponte é também apelidada de “Ponte do Diabo” ou “do inferno” por “lembrar apenas ao diabo”, pelo facto da sua construção, alta e com esta configuração, ser no mínimo, estranha.

Para além das lendas a que está associada, não nos devemos esquecer, que se trata também de um local histórico que muito honra o povo português. Uma coisa é certa, tanto a ponte, como o cenário onde está inscrita são deslumbrantes. Cenário que fica completo com as fabulosas cascatas que conferem ainda mais misticismo ao local.

#Galeria

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Sobre

Olá, o meu nome é Carla Ferreira. Vivo em Viseu com a minha família, o marido Leonel e as filhas Sofia e Francisca.

Somos apaixonados pelo mundo, pela Natureza, pelas pessoas, culturas e tradições. Somos inquietos, sempre com uma vontade enorme de explorar mais e mais, de estar constantemente à procura. Privilegiamos muito o conhecimento, a valorização, a preservação e a sustentabilidade do planeta Terra. 

Explorar o mundo e partilhá-lo com as pessoas são das coisas que mais gostamos de fazer.

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