Carla Ferreira

Carla Ferreira

São Pedro do Sul – À Descoberta das Montanhas Mágicas

 

Nos dias seguintes 23, 24 e 25 de fevereiro, 30 jornalistas e bloggers de viagens, portugueses e espanhóis, visitaram as Montanhas Mágicas, para participar numa viagem de imprensa organizada pela ADRIMAG , em parceria com o Centro de Turismo de Portugal e apoio dos Municípios visitados.

Eu também fui uma das bloggers convidadas, apesar de só ter estado presente no dia 24 de fevereiro no município de S. P. Sul. Foi um dia muito divertido, de muito conhecimento, com paisagens e sabores fantásticos à mistura.

Por três dias consecutivos, estes profissionais de comunicação, especializados em viagens e turismo, tiveram a oportunidade de descobrir os encantos naturais, as paisagens moldadas pela mão humana, a história do património local, estiveram também em contacto com a cultura e as tradições locais, com a gastronomia típica e os produtos locais.

Esta visita incidiu nos municípios das Montanhas Mágicas localizadas na região central (Sever do Vouga, São Pedro do Sul e Castro Daire), à descoberta de alguns dos lugares mais emblemáticos da Rota da Água e da Pedra.  Entre os locais visitados estiveram, em Sever do Vouga, o Vougapark, a Ecopista do Vouga e a Ponte de Santiago. Em São Pedro do Sul, a Mariola da Serra da Arada, a aldeia de Pena, São Macário, as Termas de São Pedro do Sul e para terminar, em Castro Daire, a aldeia de Campo Benfeito, a estação da biodiversidade e o centro de interpretação de Montemuro e Paiva.

Esta ação destinou-se a impulsionar a complementaridade dinâmica que permite o reposicionamento e consolidação da imagem e percepção do centro de Portugal e, especificamente, do território das Montanhas Mágicas como destino turístico privilegiado associado à natureza e ao turismo sustentável.

Antes de dar a conhecer a visita ao município de S. P. Sul, do dia 24 de fevereiro, vou falar um pouco sobre as Montanhas Mágicas, a Rota da Água e da Pedra e o Município de S. P. Sul.

Montanhas Mágicas

O território das Montanhas Mágicas está inserido no conjunto montanhoso designado por Montanhas Ocidentais do centro-norte de Portugal, entre os rios Douro e Vouga, abrangendo as serras da Freita, Arada, Arestal, pertencente ao maciço da Gralheira, e a serra do Montemuro, pertencente ao maciço com o mesmo nome, a oitava maior elevação de Portugal Continental.

A altitude média é de 600 metros, atingindo os 1381 metros na serra do Montemuro e os 20 metros nos vales dos rios Douro e Vouga.

Dominado por uma extensa mancha natural, possui zonas de forte densidade florestal, que contrastam com alguns planaltos e numerosos vales de baixa altitude.

Trata-se pois, de um território de excepcionais valores naturais, certificado como destino turístico sustentável, que desde novembro de 2013 engloba quatro sítios da Rede Natura 2000 e um geoparque da UNESCO.

A singularidade dos fenómenos geológicos que aqui ocorrem, a notável biodiversidade que possui e as particularidades da sua geomorfologia fazem das Montanhas Mágicas um destino de excelência para a observação da natureza e para a realização de várias atividades de desporto e aventura.

Ocupado desde os tempos pré-históricos, é possível encontrar por todo o território vestígios e monumentos que testemunham a sua história: gravuras rupestres, monumentos megalíticos, pontes e vias romanas, mosteiros e templos medievais, santuários e igrejas, aldeias mágicas, minas históricas e muito mais.

A tudo isto há a juntar a hospitalidade das suas gentes, a gastronomia, os produtos artesanais e as confortáveis unidades de alojamento.

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Rota da Água e da Pedra

A Rota da Água e da Pedra é uma rota de turismo de natureza que valoriza elementos do património natural e cultural, ligados à água e à pedra. Engloba cascatas, rios, gravuras pré-históricas, turfeiras, antigas minas, dolmens, fragas, fósseis, fenómenos geológicos, vales e livrarias geológicas, num território de paisagens deslumbrantes, com vales e serras esculpidas por milhões de anos de erosão.

A rota atravessa o território de 7 municípios, estendendo-se desde o Douro até ao Vouga, passando pelas serras da Freita, Arada e Montemuro.

Na Rota da Água e da Pedra, a descoberta do território faz-se através de uma espécie de rede de metro, com paragens constituídas por locais a visitar nesta região. As linhas são os elementos naturais que aqui imperam, alternando entre rios e serras. De sul para norte, as linhas do Vouga, Arestal, Arada, Freita, Caima, Paiva, Montemuro, Bestança e Douro, constituindo na totalidade 114 pontos de visita obrigatória, alguns juntos à estrada, outros de acesso mais complexo.

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São Pedro do Sul

São Pedro do Sul é um município localizado no distrito de Viseu, no centro de Portugal, em plena Região de Lafões. Estende-se por uma área de 350 Km2 e alberga 14 freguesias.

Emoldurado pelas serras da Freita, Arada e São Macário e pelo fantástico vale do Vouga, S. P. Sul assume-se como um destino de natureza de excelência, com paisagens deslumbrantes que enchem a alma. Recantos naturais de grande beleza como as cascatas, os poços e as lagoas de água cristalina são uma presença constante nas ribeiras da Landeira, da Pena e no rio Teixeira. As paisagens que se alcançam desde o Portal do Inferno até ao vale do Deilão, não esquecendo o monte de São Macário são impressionantes, de cortar a respiração.

As aldeias ancestrais encaixadas em vales profundos, como a Pena, Covas do Monte, Fujaco, Manhouce, Candal e Póvoa das leiras são de uma beleza extraordinária.

Mas S. P. Sul não é só natureza, o município está recheado de História, com um riquíssimo património cultural e arquitetónico. Como tesouros geológicos evidenciam-se a Livraria da Pena, a Cascata do rio Teixeira e as Penas do Diabo. Gravuras rupestres, castros igrejas, mosteiros, solares e pontes ferroviárias testemunham a presença do Homem ao longo de milhares de anos.

Distingue-se também por aquelas que são consideradas as maiores Termas da Península Ibérica, cujas águas com propriedades terapêuticas únicas, descobertas pelos romanos há mais de 2000 anos, brotam do interior dos seus vales graníticos, e que no passado foram frequentadas por reis e rainhas, nomeadamente D. Afonso Henriques, D. Manuel I e D. Amélia, tendo deixado a sua presença no nome dos balneários.

A tudo isto há ainda a juntar a tranquilidade que se vive, a maravilhosa gastronomia, terra de vitela e cabrito, doces e compotas, o artesanato, os inúmeros programas de animação e aventura, numa terra de gente afável que bem sabe receber.

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Roteiro do Passeio em S. P. Sul

O dia amanheceu cedo. À nossa espera paisagens únicas, riquezas naturais, arqueológicas, culturais e históricas. Dirigimo-nos para a serra da Arada, que se localiza no extremo oriental do maciço da Gralheira, atingindo no seu cume 1071 metros. A Arada tem vales profundos e rasgados em xisto e granito, a sua riqueza em minério foi aproveitada no passado. Os rios e ribeiras de água que aqui abundam deram origem a inúmeras piscinas naturais. Nesta serra é possível também observar cristas quartzíticas, dispostas como livrarias, e rastos de fósseis.

A primeira paragem aconteceu, um pouco por causa do rebanho e do pastor que aqui são uma constante, para tirar algumas fotografias ao rebanho, às paisagens e às turfeiras.

As turfeiras são um dos habitats mais raros e diversos das montanhas, refúgios de muitas espécies de plantas e animais, desenvolvendo-se junto a linhas de água. O esfagno, musgo que constitui os alicerces das turfeiras, formam tapetes almofadados capazes de uma grande retenção de água nos seus tecidos.

Seguiram-se as Mariolas da Arada, estruturas de pedra que servem para marcar os caminhos e orientar os pastores. Chegam a ter mais de 5 metros de altura e são empilhadas com muita sabedoria e engenho.

De seguida visitámos a aldeia da Arada, a qual se encontra em estado de reabilitação, um projeto que envolve as vertentes turísticas, com a criação de alojamentos, através da recuperação das casas abandonadas, a vertente agrícola, social, cultural, ambiental e ecológica. Quem o refere é o presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Carvalhais e Candal e o presidente da direção da ATASA – Associação Turística e Agrícola da serra da Arada, entidade promotora do projeto.

          

Por estradas sinuosas e paisagens arrebatadoras, chegámos ao Portal do Inferno e Garra. Um ponto de passagem muito estreito entre vales profundos e escarpados no xisto que drenam em sentidos opostos. De um lado avista-se o vale de Covas do Monte e do outro, o vale de Drave, oferecendo vistas únicas e vertiginosas que alcançam desníveis superiores a 400 metros. A Garra, semelhante à garra de uma ave, resulta do fenómeno causado pela geodinâmica extrema em substrato xistento e corresponde à erosão de linhas de água que rasgam a escarpa da montanha.

                    

Daqui seguimos em direção à Aldeia da Pena, uma das mais bonitas aldeias deste território, eleita para as “Sete Maravilhas de Portugal”, na categoria das aldeias. Aqui fomos recebidos pelo vereador Pedro Mouro, da Câmara Municipal de S. P. Sul, que nos deu as boas vindas e nos apresentou o município e as suas atrações turísticas.

A Pena, localizada a cerca de 22 km de S. P. Sul, parece um postal ilustrado com casinhas de xisto encaixadas num vele abrupto, uma aldeia ancestral envolta em tradições e lendas. Moram nesta aldeia 6 pessoas: Ana e Alfredo Brito com as duas filhas aqui nascidas e um casal de reformados. Fazem mel de urze, licores, e enchidos quando matam os animais. Ocupam-se da agricultura, têm animais e gerem a Adega Típica da Pena.

          

Antes do almoço, houve tempo ainda para um passeio encosta abaixo, ao longo do ribeiro da Pena, no “Caminho do Morto que Matou o Vivo”, para apreciarmos a beleza da fauna, da flora e da Livraria da Pena, um local de interesse geológico com mais de 480 milhões de anos, trata-se de fragas dispostas verticalmente que lembram livros, em que cada “livro” corresponde a um estrato quartzítico.

          

          

De seguida, fomos então para a Adega Típica onde nos esperava um delicioso almoço com entradas várias, como chouriça, presunto, queijos, cabrito assado no forno, feijoada à Adega Típica e para sobremesa pudim de ovos caseiro, leite creme e outras. O espaço está decorado de forma muito original com velharias, chocalhos, utensílios utilizados na terra e “bilhetinhos” deixados pelos visitantes.

          

          

Depois do almoço fizemos um breve passeio pela aldeia, conhecemos a lojinha de artesanato e a capela de Santo Inácio.

          

          

De volta à estrada, dirigimo-nos para o São Macário, uma serra que atinge os 1054 metros de altitude e constitui um fantástico ponto de observação das serras e vales das Montanhas Mágicas, serra do Caramulo e Estrela, um local onde assistir ao nascer do sol é das vivências mais fascinantes que pode existir. Fica prometido voltar para ver este fenómeno espetacular da natureza!

          

É aqui que está localizado também um dos mais adoráveis santuários de montanha do território, dedicado a São Macário. Diz a lenda que Macário, cuja profissão o obrigava a ausentar-se muitas vezes de casa, um dia, regressou mais cedo do que era esperado e encontrou um homem a dormir na sua cama. Cego pelo ciúme, matou o homem, que dormia, no entanto, verificou que tinha acabado de matar o próprio pai, que a esposa tinha acolhido em casa, enquanto ele estava fora. Para se penalizar, Macário fez-se eremita e foi viver para uma gruta, onde passou o resto dos seus dias, em jejuns e oração. Diz ainda a lenda que S. Macário terá morto uma serpente que aterrorizava os habitantes da Pena e de Covas do Rio. Agradecidos os habitantes daquela região construíram uma capela, no alto do monte – como eremita Macário viveu na cova da serpente e, mais tarde, então na capelinha.

          

Tivemos ainda tempo de descer um pouco pela encosta da serra e observar as cristas quartzíticas testemunhas da vida que ocorreu nos oceanos há cerca de 480 milhões de anos, tendo ficado gravado nas rochas as marcas de trilobites e outros animais que por aqui andaram.

          

Com o dia já a caminhar para o final, foi tempo de rumar a S. P. Sul, com uma pequena paragem junto ao edifício da Câmara Municipal para ver os claustros do Convento dos Franciscanos – S. José, e daqui para as Termas.

As Termas de S. P. Sul existem há mais de 2000 anos e remontam ao tempo dos romanos. Também por aqui passaram reis portugueses, como D. Afonso Henriques, D. Manuel I e D. Amélia. São águas termais que emergem à superfície a uma temperatura de 68º C e guardam em si segredos medicinais. Os tratamentos incluem terapêuticas ligadas às doenças reumáticas e das vias respiratórias.

          

Os balneários Rainha D. Amélia e D. Afonso Henriques funcionam todo o ano com terapêuticas termais de saúde e bem-estar, estética e fisioterapia, com um serviço cuidado e personalizado em instalações distintas e requintadas que proporcionam saúde, repouso e lazer.

Nas termas visitámos o Museu do Balneário Rainha D. Amélia, de seguida assistimos a um pequeno filme promocional do concelho, conhecemos o Real Spa Rainha D. Amélia, onde foram apresentados os diversos serviços e produtos e no final alguns tiveram a oportunidade de usufruir de um serviço de Spa. Para os outros foi oferecido um voucher com uma experiência termal.

O dia terminou com um maravilhoso jantar servido no Inatel Palace São Pedro Sul, um dia fantástico!

          

          

Como podem ver motivos não faltam para visitar este território, paisagens como as da Serra da Arada e o vale do Vouga fazem deste município um destino muito apetecível para quem procura Turismo de Natureza e não só!

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Sobre

Olá, o meu nome é Carla Ferreira. Vivo em Viseu com a minha família, o marido Leonel e as filhas Sofia e Francisca.

Somos apaixonados pelo mundo, pela Natureza, pelas pessoas, culturas e tradições. Somos inquietos, sempre com uma vontade enorme de explorar mais e mais, de estar constantemente à procura. Privilegiamos muito o conhecimento, a valorização, a preservação e a sustentabilidade do planeta Terra. 

Explorar o mundo e partilhá-lo com as pessoas são das coisas que mais gostamos de fazer.

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