Se há um trilho que desafia os sentidos e recompensa a cada passo, é o da Garganta de Loriga, em plena Serra da Estrela.
Há muito que percorríamos a estrada nacional com destino ao ponto mais alto da Estrela, comentando que o vale glaciar de Loriga era, sem dúvida, uma obra da natureza, que merecia ser explorado com calma.

Com esta ideia na cabeça, tinha chegado o momento para o fazer. Assim, embarcamos numa jornada por uma das rotas mais selvagens e autênticas da Serra da Estrela, onde o silêncio da montanha, os vestígios glaciares e a beleza crua da natureza se encontram num só caminho.
Ficámos siderados: o vale glaciar é impressionante, é avassalador. Os olhos parecem caminhar em direção ao abismo, tão grande é o desnível, tão imponente é o local.

Esta rota pedestre, também conhecida como PR5 SEI, é muito mais do que uma caminhada, é uma viagem pela história geológica da serra, pelas paisagens moldadas por glaciares milenares e pela biodiversidade única que habita este ecossistema de altitude.
O percurso liga a vila de Loriga ao planalto superior da serra, atravessando a chamada Garganta de Loriga, um vale glaciar profundo e estreito que revela a força da natureza ao longo dos séculos.

Com cerca de 9Km de extensão, o trilho é linear, e exige preparação física e mental. O desnível acumulado ultrapassa os 1100 metros, com altitudes que variam entre os 826 metros em Loriga e cerca de 1990 metros junto ao ponto de partida, nas Salgadeiras.
A caminhada dura entre 3 a 4 horas, está classificada como difícil, e é aconselhável fazê-la no sentido descendente. O trilho possui muitas pedras soltas, a maior parte atravessa rochas gigantes, mas também existem algumas zonas planas repletas de vegetação.

O percurso cruza locais emblemáticos como o Covão do Boieiro, o Covão do Meio, o Covão da Nave e o Covão da Areia. Estas depressões naturais são testemunhos da última glaciação e abrigam espécies raras de flora e fauna, algumas exclusivas da Serra da Estrela. No verão, as águas cristalinas das lagoas convidam a pausas refrescantes, enquanto no inverno, o cenário transforma-se num manto branco de neve e gelo, criando uma atmosfera mágica e silenciosa.
A sinalização do trilho é feita com mariolas (montes de pedras) e placas oficiais, mas é essencial levar mapa, GPS ou aplicação de trilhos, pois algumas zonas podem estar cobertas por vegetação ou neve.

Embora termine na vila, aconselhámos uma ida à praia fluvial na chamada Golden Hour, não só para contemplar a beleza do local, mas sobretudo, para absorver a tranquilidade de um final de dia de outono, em que as manifestações características da estação nos regalam a vista.
O som da ribeira que corre desenfreada montanha abaixo, o cheiro das águas agitadas, as cores outonais tomaram conta de nós, devolvendo-nos aquela paz que procuramos na Serra da Estrela.

Informação útil
Distância: 9, 70Km
Duração: 3h 45m
Tipo de Percurso: Linear
Dificuldade Técnica: Alta
Local de Partida: Salgadeiras
Local de Chegada: Loriga

Quando Ir:
Todas as estações são boas para fazer o trilho.
No verão, o clima é mais quente e por isso propício a mergulhos nas lagoas. Não há sombras.
Na primavera, o clima é mais ameno e a vegetação brota.
No outono, o clima também é ameno e a paisagem fica pincelado de tons de amarelo, laranja e vermelho.
No inverno, é preciso ter em conta as condições climatéricas, o piso poderá estar mais escorregadio e que alguns dos troços do percurso podem estar alagados de água. Em determinadas alturas, pode haver neve.

O Que Levar:
- Mochila com o necessário, nomeadamente, comida e bebida.
- Calçado adequado a caminhadas.
- Roupa adequada ao tempo.
- Protetor solar, óculos de sol e chapéu.
- Uma máquina fotográfica ou um smartphone para registar os locais.
- Um saco para trazer o lixo que, eventualmente, se faça.
- Não esquecer o fato de banho nos dias quentes para poder dar uns mergulhos nas lagoas.

Normas de Conduta:
- Planificar o percurso que se pretende realizar (reunir previamente a informação disponível necessária e certificar-se que termina a caminhada antes do anoitecer).
- Não fazer fogo.
- Circular pelos trilhos sinalizados e respeitar a sinalização existente.
- Ser cortês com os habitantes locais e respeitar os seus costumes e tradições.
- Respeitar a propriedade privada (fechar portões e cancelas).
- Não perturbar o gado e não danificar as culturas agrícolas.
- Respeitar a Natureza (não recolher ou perturbar animais e plantas).
- Não deixar lixo.
- Em algumas situações é necessário transpor estradas asfaltadas, sendo necessário fazê-lo com atenção e cuidado.





















