Um mês, uma família e uma viagem pelo Reino Unido e pela Irlanda. Tinha começado o mês de agosto, quando partimos para mais uma viagem a quatro, em busca de novos horizontes e de um novo olhar sobre o mundo que nos rodeia.
Viajar em família é mais uma oportunidade de nos reencontrarmos uns com os outros, longe das rotinas e distrações do dia a dia. Durante um mês, embarcámos numa aventura por Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte, Irlanda e País de Gales, quatro almas com ritmos diferentes, incluindo uma adolescente e uma jovem adulta que vivem entre o entusiasmo e a introspeção.

Mais uma viagem, mais um convite à escuta, à descoberta e, acima de tudo, à desaceleração. Sem horários rígidos nem pressas, deixámos que cada lugar nos contasse a sua história. Caminhámos por aldeias de outros tempos, explorámos castelos envoltos em lendas e perdemo-nos em paisagens verdes, muito verdes. Mas, o mais precioso foi o tempo partilhado — as conversas espontâneas, os silêncios cúmplices, os arrufos e os momentos de riso que só surgem quando se viaja com tempo e presença.
Agora, partilhámos os lugares por onde passámos, e os sentimentos e sensações proporcionados por uma experiência enriquecedora para nós, enquanto seres individuais, e enquanto família.
INGLATERRA

Esta viagem levou-nos pela segunda vez a Inglaterra. Depois de uma breve passagem por Londres, seguimos para Cambridge, onde demos longos passeios sem grandes planos ou roteiro. Assim, visitámos a universidade, a segunda mais antiga de Inglaterra com os seus 31 colleges, os “colégios”, passeámos junto ao canal por onde circulam as gôndolas e ainda pelas lojinhas da Green Street, uma rua da região de Trinity College repleta de restaurantes e estabelecimentos, do tradicional chá inglês às mais diversas iguarias.
Oxford foi a cidade que se seguiu, um lugar que respira história, cultura e conhecimento. Situada no coração de Inglaterra, é mundialmente conhecida pela sua universidade, uma das mais antigas e prestigiadas do mundo anglófono. Caminhámos pelas suas ruas de pedra, envoltos numa atmosfera académica e arquitetónica única, onde os edifícios medievais convivem com a vida estudantil.

A Radcliffe Camera, com sua cúpula imponente impressionou-nos, bem como a Ponte dos Suspiros, inspirada na de Veneza, que liga dois edifícios universitários e é um dos locais mais fotografados.
A nossa viagem prossegui e levou-nos para uma das regiões mais bonitas de Inglaterra, as Costwolds, um conjunto de aldeias com uma arquitetura muito própria, conhecidas pelas suas paisagens bucólicas e vilarejos onde o tempo parece desacelerar e a história se revela em cada pedra. A arquitetura local é marcada pelo uso predominante da pedra calcária amarelada típica da região, que confere às construções um charme rústico e acolhedor. Casas de campo, igrejas medievais e chalés históricos, revelam um estilo arquitetónico tradicional que remonta aos séculos XVII e XVIII. As suas ruas estreitas e sinuosas, os telhados inclinados de ardósia ou palha, e os jardins bem cuidados completam o bonito cenário que atrai visitantes do mundo inteiro.


As aldeias mais bonitas e também as mais conhecidas são: Brodway, Castle Combe, Burford, Snowshill, Bibury, Lower Slaughter, Upper Slaughter, Stow-on-the-wold e Bourton-on-the-water.

Neste conjunto, destacámos as Slaughters pela atmosfera romântica, Broadway pelas ruas cuidadas e pela torre no cimo da colina, e Castle Combe pela sua atmosfera antiga.
The Peak District foi a região que se seguiu e podemos afirmar que há muito para ver e para fazer por estas bandas de excecional beleza natural, que combinam charnecas acidentadas cobertas de turfa e magníficos vales de calcário, com aldeias antigas, bonitas cidades, casas históricas e monumentos imponentes.
Começámos por explorar Dovedale, um vale verdejante escondido entre Milldale e Thorpe Cloud, através de um trilho que se desenvolve ao longo de 5Km junto ao rio margeado por penhascos imponentes, cavernas e pilares rochosos, dos quais Ilam Rock é um dos mais bonitos.

Nesta região calma e retemperadora, houve tempo ainda para fazer uma pequena parte do Trilho Monsal que percorre alguns dos vales calcários mais impressionantes de Peak District, passando por fontes naturais, túneis, viadutos, fornos de cal e pela antiga estação de Millers Dale, construída em 1863.
Visitámos ainda Heights of Abraham, em Matlock Bath, uma propriedade repleta de atrações, incluindo um teleférico e diversas cavernas. Por último e, apesar do nevoeiro que se fazia sentir, fizemos uma breve paragem para admirar The Roaches, um afloramento rochoso esculpido pelo vento, com rochas areníticas, que se erguem sobre a cidade de Leek e sobre o reservatório de Tittesworth
Dando continuidade à nossa viagem, chegámos a York, uma linda cidade cheia de história e com várias atrações para visitar. A Catedral de York, uma das mais altas da Europa, é o monumento de destaque, tendo sido construída em cima de um antigo forte romano com de mais de 2000 anos.

Shambles, a rua do Harry Potter, foi o local que se seguiu. Esta é a rua que inspirou o cenário do Beco Diagonal, a área de compras para bruxos na saga Harry Potter. As casas datadas de 1350 a 1475 e as construções são tortas, o que confere uma atmosfera surrealista à rua. A loja mais conhecida da Shambles é, de facto, a The Shop That Must Not Be Named. O nome, por si só, é apelativo, mas a qualidade é mais ainda, pois vende tudo o que os fãs de Harry Potter esperam.
Antes de deixarmos York e, porque a mesma, é também famosa pelas suas confeitarias, fomos conhecer o salão de chá mais famoso da cidade é o Betty’s Tea Room, uma verdadeira instituição na cidade desde 1936. É o lugar ideal para experimentar o clássico afternoon tea britânico com todo o requinte que a tradição exige. Quanto à iguaria local, uma das mais emblemáticas de York é o Fat Rascal, uma especialidade típica de Yorkshire, um bolinho arredondado, semelhante a um scone ou a uma cookie mais espessa, feito com farinha, manteiga, frutas cristalizadas e especiarias. Este doce tem raízes na tradição culinária do norte de Inglaterra e foi popularizado por Betty’s, onde é considerado uma assinatura da casa.
De novo na estrada, chegámos à Muralha de Adriano. Erguida em pedra e madeira, foi construída a pedido do Imperador Adriano (daí o nome), ficou pronta no ano 126 d.C. e foi uma das construções mais extensas do período, com 118 km, sendo mais uma barreira física do que territorial, uma vez que o domínio romano se estendia muito para além dela.

A paragem que se seguiu foi o Castelo de Bamburgh que se encontra localizado na região nordeste da Inglaterra, mais especificamente na costa da Nortúmbria, e possui mais de 1500 anos de história. O castelo é um dos mais importantes e antigos do Reino Unido, sendo considerado o famoso castelo fictício de Sir Lancelot, o Joyous Garde. Foi destruído e reconstruído diversas vezes durante guerras e invasões, tendo um papel decisivo em várias destas.

O Castelo de Bamburgo aparece nos livros as Crónicas Saxônicas de Bernard Cornwell, na série The Last Kingdom e uma aparição rápida em Outlander.
ESCÓCIA
Primeira vez no país. Começámos por explorar a capital, Edimburgo, berço de filósofos e poetas, casa de rainhas e heróis históricos. Atualmente, acolhe o maior festival de artes performativas do mundo, o Fringe Festival, e está classificada pela UNESCO como Cidade da Literatura.
O encanto de Edimburgo reside na combinação de beleza e decadência, de histórias ilustres e lendas. Uma cidade magnífica com sete colinas como pano de fundo.

Depois de um longo passeio pelas suas ruas apinhadas de gente, destacámos o Castelo de Edimburgo que se ergue sobre uma rocha escura de um vulcão extinto, uma fortaleza construída no final do século XII. Dentro das suas muralhas, encontram-se a Capela de Santa Margarida, o edifício mais antigo de Edimburgo, e o One o´clock Gun, o canhão que dispara todos os dias, exceto ao domingo, desde 1861.
A entrada do castelo dá acesso à Royal Mile, a principal artéria da Cidade Velha, que se desenvolve ao longo de 1,8Km até ao Palácio de Holyrood. Trata-se de uma rua repleta de lojas de recordações e esconde locais como o Museu dos Escritores, dedicado a três famosos autores escoceses: Walter Scott, Robert Burns e Robert Louis Stevenson.
A rua mais movimentada e colorida de Edimburgo, onde se juntam multidões, muito por causa da porta vermelha do Elephant House, o café onde J. K. Rowling escreveu alguns dos livros da saga Harry Potter, chama-se Victoria Street.
As referências literárias continuam no cemitério de Greyfriars pontuado por lápides cinzentas e árvores frondosas, nomeadamente, as campas de Thomas Ridell, William McGonagall e outros cujos nomes foram usados por J. K. Rowling no universo Harry Potter.
Fundada no século XIV, a Catedral de Saint Giles, é um dos monumentos mais visitados.
No interior, sobressaem as colunatas de pedra, o solo de mármore e granito, os bancos de carvalho escocês, um teto azul repleto de anjos com gaitas-de-foles e belos vitrais.
Fizemos também uma paragem para visitar a Galeria Nacional Escocesa com as suas belas coleções de obras dos grandes mestres europeus, do Renascimento ao Pós-Impressionismo, bem como obras cruciais da arte escocesa.
Fomos ainda à Aldeia de Dean, antiga vila de moleiros do século XII, atualmente, um dos mais bairros mais cobiçados de Edimburgo. Dean Bridge é a ponte que dá nome à aldeia, sob a qual desfilam cisnes e patos que povoam a zona.
Antes de deixarmos Edimburgo, ainda visitámos a Edifício Jonhnnie Walker, local que dá a conhecer a história do whisky.

De novo na estrada, seguimos viagem para Royal Burgh of Culross, um antigo burgo, cujas ruas apareceram na série Outlander. Explorámos o Palácio de Culross, passeámos pelas ruas charmosas e tranquilas, outrora cheias da agitação de um próspero porto do século XVII no Rio Forth. Casas de madeira branca com telhados vermelhos ladeiam as íngremes ruas de paralelepípedos que vão da cruz do mercado até a abadia no topo da colina.
Prosseguimos em direção ao Castelo Midhope que se encontra localizado numa área rural aberta no Hopetoun Estate. O edifício está ao abandono, sendo gratuito tirar fotos do portão, contudo, para deambular pelo espaço exterior onde decorreram as filmagens referentes a Lallybroch em Outlander é necessário comprar bilhete.

Continuando na saga dos locais que aparecem na série de sucesso internacional e, uma vez que somos fãs, fomos conhecer o Castelo Doune, uma impressionante fortaleza medieval construída no final do século XIV.

Com a sua imponente torre de entrada, o castelo serviu como retiro real e pavilhão de caça, além de ter sido palco de eventos históricos como os Levantes Jacobitas. Hoje, é famoso por ter sido cenário de produções como Monty Python and the Holy Grail, Game of Thrones e Outlander – como Castelo Leoch.
Falkland foi o destino que se seguiu, um verdadeiro refúgio histórico que parece ter parado no tempo. Com as suas charmosas casas de pedra, ruelas estreitas e atmosfera tranquila, a aldeia é famosa por abrigar o Palácio de Falkland, uma antiga residência real dos monarcas Stuart, construída entre os séculos XV e XVI em estilo renascentista francês. Além disso, Falkland ganhou também notoriedade ao servir como cenário para a série Outlander, representando Inverness nos anos 1940.

De novo na estrada, fomos a Kinclaven Bluebell Woods, um bosque encantado que floresce em tons de azul-violeta durante a primavera, criando um verdadeiro tapete mágico de bluebells sob antigas árvores de carvalho e faia. Este bosque é considerado uma das florestas mais belas e antigas da Escócia, com trilhos tranquilos e uma rica biodiversidade — incluindo esquilos vermelhos, martas e aves raras.

A Escócia é o país dos castelos e, como apreciadores, fomos conhecer vários. O Castelo de Glamis é uma das residências mais icónicas da nobreza escocesa — lar ancestral da família Bowes-Lyon e local de nascimento da Rainha-Mãe Elizabeth. Com raízes que remontam ao século XIV, encontra-se envolto em lendas, como a do misterioso Monstro de Glamis, e foi imortalizado por Shakespeare como a residência de Macbeth. Sem dúvida, os seus salões ricamente decorados, tetos estucados e jardins exuberantes oferecem uma experiência imersiva na história e na arquitetura escocesa.

Novo dia, novas experiências, mais castelos. Dunalastair Castle, localizado em Perthshire, é uma majestosa mansão em estilo baronial construída em 1859 por General Sir John Macdonald, sobre as ruínas de antigas residências ligadas ao clã Robertson. Cercado por paisagens dramáticas e o sereno Rio Tummel, o castelo foi palco de histórias marcantes. Atualmente, o edifício encontra-se em ruínas e não está aberto, no entanto, vale a pena dar um passeio pelo exterior e admirar as bonitas fachadas.

Como já referimos, a Escócia é um país riquíssimo em castelos. A região que explorámos de seguida, encontra-se repleta de magníficos exemplares, tão diversos quanto belos. Ao todo, são dez os castelos que se situam no Vale do Rio Dee e que se encontram abertos ao público.
Braemar é uma fortaleza do século XVII com uma história rica e envolvente. Construído em 1628 pelo Earl of Mar como pavilhão de caça, o castelo foi palco de intrigas políticas, rebeliões jacobitas e até serviu como guarnição militar após o levante de 1745. Com a sua arquitetura em forma de estrela e interiores decorados com móveis de época, armas e relíquias do clã Farquharson, oferece uma experiência imersiva na história escocesa.

Balmoral, situado em Royal Deeside, é a residência de verão da família real britânica desde que foi adquirido pela Rainha Vitória e o Príncipe Albert em 1852. Construído em estilo baronial escocês, o castelo está rodeado por paisagens verdejantes, jardins vitorianos e bosques preservados.

Embora a maior parte do interior permaneça privada, os visitantes podem explorar os jardins, o salão de baile — única sala aberta ao público — e exposições sazonais que revelam detalhes da vida real.
Crathes, localizado próximo a Banchory, é uma joia da arquitetura escocesa do século XVI, construída pela família Burnett de Leys, que o habitou cerca de 400 anos. Com as suas torres elegantes, tetos pintados e painéis de carvalho, o interior do castelo revela uma rica coleção de retratos, móveis antigos e histórias fascinantes — incluindo a lenda do fantasma da “Dama Verde”.

Dunnottar, situado dramaticamente sobre um promontório rochoso na costa nordeste da Escócia, próximo a Stonehaven, é uma fortaleza medieval envolta em história e mistério.

Com origens que remontam ao século XIII — e vestígios ainda mais antigos ligados aos pictos e a São Niniano — o castelo foi palco de eventos marcantes, como a resistência de William Wallace contra os ingleses e o esconderijo das Joias da Coroa Escocesa durante a invasão de Cromwell em 1650.
Drum, localizado em Drumoak, é uma das casas-torre mais antigas da Escócia, com origens que remontam ao século XIII. Foi dado, como presente, à família Irvine por Robert the Bruce em 1323, tendo permanecido sob a sua posse mais de 650 anos.

Craigievar, situado nas colinas de Aberdeenshire, é uma verdadeira obra-prima do estilo baronial escocês, com a sua fachada rosada e torres ornamentadas que parecem saídas de um conto de fadas. Construído por William Forbes em 1626, o castelo foi residência da família Forbes cerca de 300 anos. O seu interior preserva tetos de gesso ricamente decorados, móveis de época e retratos da família, além de escadas secretas e uma galeria de músicos.

Fraser, localizado em Kemnay, é uma das mais impressionantes construções em estilo Z-plan da Escócia, com origens que remontam ao século XV e expansão iniciada em 1575 por Michael Fraser, o 6.º Laird da família.

Rodeado por mais de 120 hectares de jardins, bosques e terras agrícolas, o castelo preserva interiores históricos, como o Grande Salão medieval, quartos decorados com móveis de época e retratos da família Fraser. A atmosfera é de um lar ancestral, com toques de mistério e elegância.
Para além dos castelos, a Escócia também é famosa pelos whiskys que produz, dos melhores do mundo, sem dúvida. Neste ambiente de bebida, destacámos a Keith & Dufftown Railway (‘The Whisky Line’), a ferrovia histórica mais setentrional do país, que percorre 17Km desde a estação de Dufftown até Keith Town, via Drummuir. Originalmente, foi parte da antiga linha ferroviária Great North of Scotland, que ligava Aberdeen a Elgin, e posteriormente um ramal exclusivo para transporte de cargas da British Rail, interrompido em Dufftown.

A linha ferroviária foi reaberta por voluntários entre 2000 e 2001, atravessando algumas das paisagens mais bonitas da Escócia, nomeadamente, florestas e terras agrícolas, lagos e vales, castelos e destilarias.
Seguimos para Cawdor Castlem, uma fortaleza encantadora com raízes no século XIV, famosa pela sua ligação literária à tragédia Macbeth de Shakespeare — embora o castelo tenha sido construído muito depois dos eventos retratados na peça. Erguido à volta de um antigo azevinho, cuja árvore ainda pode ser vista na base da torre, o castelo combina arquitetura medieval com interiores acolhedores, tapeçarias, móveis de época e belos jardins murados. Atualmente, é residência da família Campbell, o que confere ao local uma atmosfera viva e autêntica.

A Escócia é muito do que acabámos de descrever, é património, é história, pontilhada por vários momentos trágicos. Um deles, se calhar, um dos mais conhecidos além-fronteiras e um dos locais mais marcantes da história escocesa, foi a Batalha de Culloden – Batlefield que aconteceu próximo de Inverness.
Motivos mais do que suficientes para fazermos uma paragem, pois foi aqui que, em 16 de abril de 1746, ocorreu a última batalha campal em solo britânico, entre os jacobitas liderados por Charles Edward Stuart e as forças do governo comandadas pelo Duque de Cumberland. A derrota dos clãs das Highlands marcou o fim da causa jacobita e resultou em profundas mudanças sociais e culturais na Escócia.

Hoje, o local é preservado pelo National Trust for Scotland e conta com um Centro de Visitantes premiado, que oferece exposições imersivas, artefactos históricos e uma experiência audiovisual da batalha.
Depois de uma emersão na história, regressámos à estrada. O Castelo Dunrobin foi o local que se seguiu por se tratar de uma verdadeira joia arquitetónica com aparência de conto de fadas, com as suas torres cônicas e jardins simétricos evocando o estilo francês de Versailles.

Com origens no século XIII, o castelo é a residência ancestral dos Condados de Sutherland, uma das famílias mais influentes da Escócia. Com varandas e janelas voltadas para o mar, os salões decorados e a coleção de artefactos históricos, remeteram-nos parar um passado de glória que preencheu o nosso imaginário.

Estávamos na Escócia e, como tal, decidimos incluir no nosso roteiro uma visita a uma das muitas destilarias de whisky. Escolhemos a Tomatin por sermos apreciadores desta marca. Aninhada nas Terras Altas da Escócia, a destilaria Tomatin é um verdadeiro tesouro para os apreciadores de whisky. Fundada em 1897, combina tradição e inovação para produzir single malts suaves e encorpados, com notas frutadas e um toque de turfa subtil. Situada a cerca de 25 km ao sul de Inverness, Tomatin destaca-se não só pela qualidade do seu whisky, mas também pela sua envolvente paisagem montanhosa e pela hospitalidade calorosa que oferece aos visitantes.
Continuámos viagem em direção ao lago mais conhecido do país, o Lago Ness. Famoso por causa da fábula de um monstro que habita sob a sua superfície e que impregnou o imaginário popular, uma criatura marinha pré-histórica, uma enguia gigante, de seu nome Nessie que, segundo reza a lenda, se esconde numa toca sob o Castelo Urquhart.
Com origens no século XIII, o castelo desempenhou um papel estratégico nas Guerras de Independência da Escócia, tendo sido palco de batalhas entre clãs e ataques ingleses. Apesar de estar em ruínas desde o século XVII, as suas torres, as muralhas e o imponente cenário natural continuam a impressionar.
A ilha de Skye era a região mais aguardada da nossa viagem, a expectativa era elevada. O tempo não esteve do nosso agrado e dificultou o cumprimento do roteiro. Muito ficou por ver, por isso, pretextos não faltam para voltarmos. A experiência não foi a melhor, contudo, uma coisa é certa, é um dos locais mais bonitos do mundo.

Numa panóplia de lugares para explorar, foi-nos possível visitar alguns. O Castelo Eilean Donan, localizado numa pequena ilha onde se encontram três lagos — Duich, Long e Alsh, foi construído originalmente no século XIII como defesa contra invasões vikings, o castelo passou por diversas reconstruções, sendo restaurado no início do século XX. Com a sua ponte de pedra e cenário cinematográfico, já foi palco de filmes como Highlander e O Mundo Não é o Bastante.

Portree é uma vila costeira repleta de charme e história. Com as suas casinhas coloridas alinhadas à volta do porto natural — projetado por Thomas Telford — e cercada por falésias dramáticas, Portree é um centro vibrante de arte e turismo, oferecendo galerias, cafés acolhedores e vistas maravilhosas sobre o mar.
As Falésias de Kilt Rock e a Cascata Mealt Falls são, de facto, uma obra prima da natureza e um dos lugares mais bonito da ilha. Trata-se de uma queda de água com 55 metros que cai em cascata no estreito de Raasay. A partir daqui é possível ver as dobras naturais que deram o nome às falésias de Kilt Rock.

Quiraing é uma das formações geológicas mais surreais da Escócia. Criado por uma série de deslizamentos de terra que continuam até hoje, apresenta um cenário dramático de penhascos, platôs e formações rochosas com nomes evocativos como The Needle, The Table e The Prison. Com trilhos que serpenteiam por paisagens com vistas desafogadas, é um destino imperdível para caminhantes, fotógrafos e apreciadores da natureza.
Depois de deixarmos Skye, voltámos ao continente para visitar alguns dos locais que preenchem o imaginário do mundo Harry Potter.

Dumbledore´s Grave, conhecida como White Tomb, é o local de descanso final do lendário diretor de Hogwarts, Albus Dumbledore, e está situada às margens do Lago Negro, dentro dos terrenos da escola de magia. Após a sua morte em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, Dumbledore foi sepultado num mausoléu de mármore branco — o único túmulo presente em Hogwarts — como reconhecimento por sua importância incomparável no mundo bruxo. A cerimónia foi marcada por chamas brancas e misteriosas, das quais Harry acreditou ter visto uma fênix emergir, simbolizando renascimento e despedida. Embora o túmulo seja fictício, a cena foi filmada num local real, a ilha Eilean na Moine, no Loch Eilt, e que pode ser visitado.

O Viaduto Glenfinnan também constitui um ponto de grande interesse turístico, muito por causa do universo Harry Potter. Hoje, é um local obrigatório para ver a linha ferroviária entre Fort William e Mallaig que serve de palco ao comboio a vapor Jacobite, conhecido como o Expresso de Hogwarts da saga Harry Potter, uma impressionante estrutura ferroviária com 21 arcos e 380 metros de comprimento, construída entre 1897 e 1901.
Ben Nevis é o pico mais alto das Ilhas Britânicas e foi o local que se seguiu no nosso roteiro. Com 1345 metros de altitude, sublinha o carácter montanhoso das Terras Altas num território repleto de desfiladeiros que escondem impressionantes quedas de água, como Steall Falls.

Glencoe, nas Terras Altas da Escócia, é um dos vales mais dramáticos e impressionantes do país, uma paisagem moldada por glaciares e marcada pela história. Rodeado por montanhas imponentes e cortado por rios cristalinos, este cenário cinematográfico é tão belo quanto melancólico. Hoje, é um destino imperdível para caminhantes, fotógrafos, e outros, onde cada trilho revela vistas arrebatadoras e uma atmosfera quase mística.

Antes de deixarmos a Escócia, houve ainda tempo para conhecer o Castelo Kilchurn, um castelo construído no século XV e que, atualmente, se encontra em ruínas. Originalmente, foi erguido como uma torre de cinco andares, expandido ao longo dos séculos, tornando-se residência nobre e, mais tarde, quartel militar — abrigando até 200 soldados durante as rebeliões jacobitas.

Por último, fizemos uma breve paragem para visitar o Castelo Inveraray, uma das joias arquitetónicas da Escócia, que combina o estilo neogótico com interiores opulentos e jardins exuberantes. Construído no século XVIII como residência dos Duques de Argyll, chefes do clã Campbell, o castelo abriga uma impressionante coleção de armas, tapeçarias e artefatos históricos, além de ter servido como cenário para produções como Downton Abbey.

A Escócia ficará para sempre nos nossos corações. Com o carro dentro do ferry, rumámos à Irlanda do Norte para explorar novos territórios.
IRLANDA DO NORTE
Belfast, a capital do país, foi a primeira paragem deste novo país para nós. A vibrante capital da Irlanda do Norte, é uma cidade que combina história, cultura e inovação com uma energia contagiante.

Entre as principais atrações turísticas destacámos o Titanic Belfast, um museu impressionante dedicado ao famoso navio que aqui foi construído. Os entusiastas de história podem explorar o Castelo de Belfast, situado nas encostas da Cave Hill, com vistas panorâmicas sobre a cidade. O Museu Ulster e os Jardins Botânicos oferecem uma pausa cultural e natural no coração da cidade. Para quem aprecia arte urbana e política, os murais de Belfast nos bairros de Falls Road e Shankill Road contam histórias marcantes do passado recente. Não se pode deixar de visitar o St. George’s Market, um dos mercados cobertos mais antigos da ilha, onde se encontram produtos locais, música ao vivo e uma atmosfera acolhedora.
De volta à estrada, seguimos viagem em direção à costa norte do país. Pelo meio, fizemos um desvio para explorar um dos lugares mais surreais que já tivemos oportunidade de conhecer.
The Dark Hedges é um dos cenários naturais mais icónicos e misteriosos da rota costeira de Antrim. Esta avenida de faias entrelaçadas foi plantada no século XVIII pela família Stuart para embelezar o caminho até à Gracehill House, criando um túnel vivo que parece saído de uma história fantasiosa. Com mais de 200 anos, as árvores formam um corredor sombrio e encantador que ganhou fama mundial ao aparecer como a Kingsroad na série Game of Thrones.

Junto à costa da Irlanda do Norte, encontrámos lugares de grande beleza, envoltos num verdejante manto verde como nunca tínhamos visto. No seio de uma região tão bela, deparámo-nos com locais como Carrick-a-Rede, uma ponte suspensa de cordas que liga o continente à pequena ilha de Carrickarede, a cerca de 30 metros acima do mar. Originalmente construída por pescadores de salmão há mais de 350 anos, a travessia oferece uma experiência emocionante e vistas desafogadas sobre o Atlântico, da Ilha Rathlin e até da Escócia em dias claros.
Mesmo ao lado, Whitepark Bay Beach encanta pela sua beleza selvagem e tranquilidade. Com uma extensão de areia branca em forma de arco, ladeada por falésias de calcário e dunas cobertas de flores silvestres, esta praia oferece um cenário perfeito para caminhadas, piqueniques e contemplação da natureza.

Seguiu-se um dos lugares mais ansiados na Irlanda do Norte, a Calçada do Gigante, uma maravilha geológica composta por cerca de 40 000 colunas hexagonais de basalto, formadas há cerca de 60 milhões de anos por atividade vulcânica. Património Mundial da UNESCO, encontra-se envolta em lendas celtas, como a do gigante Finn MacCool, que teria construído a calçada para enfrentar um rival escocês. O local oferece trilhos costeiros deslumbrantes, formações rochosas únicas e um centro de visitantes com exposições interativas.

O Castelo de Dunluce, situado dramaticamente sobre penhascos na costa de Antrim, é uma das ruínas medievais mais impressionantes do país. Construído no século XIII e expandido pelos clãs McQuillan e MacDonnell, o castelo foi palco de batalhas, naufrágios e lendas — incluindo a famosa história da cozinha que teria desabado no mar durante uma tempestade. Além de inspirar cenários como Cair Paravel nas Crónicas de Nárnia e aparecer em Game of Thrones, Dunluce oferece vistas maravilhosas sobre o Atlântico e uma atmosfera carregada de história.

O Magheracross Car Park & Viewpoint, situado na Dunluce Road entre Portrush e Bushmills, é um dos miradouros mais impressionantes da costa de Antrim. Com plataformas suspensas estrategicamente posicionadas sobre as falésias, oferece vistas panorâmicas desde o icónico Castelo de Dunluce até às dunas douradas da Whiterocks Beach e às ilhas Skerries ao largo. Foi por aqui, que nos despedimos da Irlanda do Norte para rumar ao país vizinho.
IRLANDA
Primeira vez no país. Começámos a nossa viagem, explorando o Parque Nacional de Glenveagh com o seu castelo, uma réplica reduzida do castelo de Balmoral com jardins de vários estilos e salas com cabeças de veado vermelho que remontam ao tempo em que estas florestas de bétulas e carvalhos eram um terreno de caça sem fim.

O Castelo de Glenveagh é uma mansão imponente em estilo baronial escocês construída entre 1867 e 1873. Rodeado por montanhas, bosques e o sereno Lough Veagh, o castelo encanta com os seus jardins exuberantes, interiores decorados com requinte e uma história marcada por figuras excêntricas, como Cornelia Adair e o milionário Henry McIlhenny, que recebeu celebridades como Marilyn Monroe.

Qualquer roteiro pela Irlanda rege-se por incluir a Wild Atlantic Way desde Kinsale (Country Cork) até Malin (Donegal) ao longo de 2500km.
Com imensos pontos de interesse ao longo da mesma, fomos parando aqui e ali, muito ao sabor da nossa vontade.
A Praia Silver Strand de areia branca, rodeada por falésias verdes, mantém intacta a sua natureza selvagem. Escusado será dizer que é uma das praias mais bonitas da Irlanda. Uma paragem obrigatória, naquele que é um local um pouco afastado de tudo, uma maravilha do planeta.

Prosseguimos viagem pelo Parque Nacional de Connemara, uma região natural de grande beleza e tranquilidade. A Abadia de Kylemore insere-se neste cenário e é um dos edifícios mais românticos e fotografados do país. Construída em 1867 como um presente de amor de Mitchell Henry para sua esposa Margaret, a abadia neogótica está rodeada por montanhas, bosques e o Lago Pollacapall. Hoje, é lar de uma comunidade de freiras beneditinas e oferece aos visitantes acesso aos salões restaurados da abadia, à igreja neogótica, ao mausoléu e aos exuberantes Jardins Muralhados Vitorianos.

Connemara Bay Beach é, sem dúvida, um lugar de sonho. Talvez, o nosso local favorito, e que inclui a praia mais bonita que já vimos. De seu nome Dog’s Bay, encontra-se rodeada de prados e animais de pasto, dunas douradas e um areal branco a perder de vista. Estas duas praias têm a forma de ferradura e parecem estar de costas uma para a outra, uma paisagem lindíssima que já mais esqueceremos.

Seguiu-se Clifden, uma pequena cidade, pretensiosa, victoriana e com uma longa tradição de criação de cavalos.
Dando continuidade à nossa viagem, seguimos para as Cliffs of Moher, na costa oeste da Irlanda, uma das paisagens naturais mais impressionantes do país — penhascos vertiginosos que se estendem por 8 km e atingindo 214 metros de altura sobre o Atlântico. Este Património Mundial da UNESCO oferece trilhos panorâmicos, observação de aves marinhas e vistas magníficas para as Ilhas Aran e para a Baía de Galway.

Prosseguimos em direção ao Parque Nacional de Killarney, o mais antigo parque natural da Irlanda, com a maior extensão de floresta nativa. Com 10 mil hectares, encontrámos florestas, quedas de águas, casas senhoriais, jardins exuberantes e um fantástico miradouro chamado Ladies View.

No seio desta paisagem maravilhosa, encontra-se o Castelo de Ross, situado nas margens do Lough Leane em Killarney, uma fortaleza do século XV. Envolto em lendas locais — como a do chefe que mergulhou no lago e vive num palácio submerso — o castelo foi um dos últimos bastiões a resistir às forças de Cromwell, rendendo-se apenas após um ataque por barco, cumprindo uma antiga profecia.

Gap of Dunloe, aninhado entre as montanhas Macgillycuddy e a montanha Púrpura, é um dos locais mais bonitos da rota panorâmica do Anel de Kerry.
De volta à estrada, seguimos viagem em direção a Cork, onde nos perdemos pelas suas ruas repletas de casas coloridas e telhados cinzentos. Passeámos por St. Patrick’s Street, no elegante English Market, o mercado mais antigo da Europa e que em 2011 recebeu o selo de aprovação da Rainha Isabel II, pela Catedral de Saint Fin Barre’s. Deliciámo-nos, ainda, com as maravilhosas lojas de donuts que existem um pouco por toda cidade.

A capital, Dublin, ficou para o final da nossa viagem à Irlanda. Como em qualquer outra capital, a cidade tem muito para oferecer. Para além de deambularmos pelas ruas, passámos por alguns dos locais mais emblemáticos, como o Temple Bar, o Trinity College, pela Catedral de São Patrício construída no século XIII, a Ponte O´Connell, ponto de referência na cidade, que liga as margens norte e sul do Rio Liffey, e pela Catedral da Igreja de Cristo.

Fechámos da melhor forma a Irlanda e rumámos, via ferry, ao País de Gales.
PAÍS DE GALES
O ferry atracou na Ilha de Anglesey e a partir desta região de grande beleza natural, demos início ao nosso roteiro pelo País de Gales.
O percurso através da Baía de Llanddwyn até ao Farol Twr Mawr, levou-nos até uma das praias mais bonitas do país, um lugar que oferece panorâmicas espetaculares com as montanhas Snowdonia ao fundo.

Seguiu-se o Castelo de Beaumaris, uma obra-prima da arquitetura militar medieval concebida por James of St. George para o rei Eduardo I em 1295. Apesar de nunca ter sido concluído, o castelo destaca-se pelo seu plano concêntrico perfeito, com muralhas duplas, torres imponentes e um fosso que outrora se enchia com água do mar. Classificado como Património Mundial pela UNESCO, oferece aos visitantes uma imersão na história das campanhas inglesas no País de Gales
Llamberis – Snowdon foi a região que explorámos de seguida. Aqui, existe um comboio vermelho impulsionado por uma antiga locomotiva, conhecido como Snowdon Mountain Railway, uma das experiências ferroviárias mais memoráveis do Reino Unido. Desde 1896, este comboio de cremalheira transporta visitantes da estação de Llanberis até ao cume da montanha Snowdon, o ponto mais alto do País de Gales, a 1.085 metros de altitude.

Localizado no sopé do monte Snowdon, o Castelo de Dolbadarn oferece a perspetiva clássica e romântica que o grande pintor paisagístico londrino william Turner pintou no extremo norte do País de Gales por volta de 1800, uma fortaleza medieval construída no século XIII. A sua imponente torre redonda, considerada uma das melhores da arquitetura militar galesa, domina a paisagem sobre o lago Llyn Padarn e o desfiladeiro de Llanberis. Embora hoje esteja em ruínas, o local oferece uma atmosfera histórica envolvente e vistas deslumbrantes das montanhas.

Em Snowdonia, ainda visitámos Betwys-y-Coed, uma aldeia encantadora localizada no seio de um vale luxuriante paredes meias com um riacho que a atravessa. As construções em pedra e telhados escuros conferem uma atmosfera quase surreal, um lugarejo onde não falta comércio para todos os gostos.
De novo na estrada, fomos em direção a Aberystwyth, situada na costa oeste, uma cidade universitária vibrante que combina charme vitoriano, paisagens costeiras e uma rica herança cultural.
New Quay foi a vila que se seguiu, famosa por inspirar a obra Under Milk Wood de Dylan Thomas, que viveu ali nos anos 1940, New Quay é também um dos melhores locais do Reino Unido para observar golfinhos na natureza, especialmente durante os meses de verão. O porto é o coração da vila, com barcos de pesca, passeios marítimos e restaurantes que servem frutos do mar frescos.
Seguiu-se um breve desvio para conhecer o Dólmen de Pentre Ifan, uma estrutura funerária com 5000 anos. Os arqueólogos encontraram provas de que alguns dos monólitos de Stonehenge, a 350km de distância, vieram daqui. Verificou-se que produzem um som característico quando atingidos por uma pedra, uma circunstância que pode ter sido considerada sagrada pelas comunidades neolíticas.

Pembroke, situada no sudoeste do País de Gales, é uma cidade histórica encantadora conhecida pelo seu imponente castelo medieval, berço de Henrique VII, fundador da dinastia Tudor. Rodeada por paisagens costeiras deslumbrantes e rica em património, a cidade é ponto de partida ideal para explorar praias como Barafundle Bay e Freshwater East, bem como trilhos costeiros que revelam falésias dramáticas e enseadas secretas.
O Parque Nacional Brecon Beacons, agora oficialmente chamado Bannau Brycheiniog, é uma das joias naturais do País de Gales, conhecido pelas suas paisagens montanhosas, vales verdejantes e trilhos deslumbrantes. Um dos percursos mais populares é o Four Waterfalls Walk, que nos levou por uma rota circular através de densos bosques e gargantas profundas até quatro cascatas magníficas: Sgwd Clun-Gwyn, com a sua queda em dois níveis sobre um penhasco; Sgwd Isaf Clun-Gwyn, escondida entre árvores antigas e acessível por escadas íngremes; Sgwd y Pannwr, marcada por uma cascata poderosa e piscinas profundas ideais para um mergulho; e a mais famosa, Sgwd Yr Eira, onde é possível caminhar por trás da cortina de água, uma experiência refrescante. Esta caminhada é desafiante, mas recompensadora, oferecendo uma imersão completa na beleza selvagem do País de Gales.
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De novo em Inglaterra
Tínhamos deixado a zona sul para explorar no final da viagem.
Assim e, como tinha de ser, fomos conhecer Stonehenge, um dos monumentos pré-históricos mais célebres do mundo, localizado na planície de Salisbury.

Composto por enormes blocos de pedra dispostos em círculo, acredita-se que tenha sido construído entre 3000 e 1520 a.C., possivelmente como um observatório astronómico ou local de rituais religiosos. A sua origem e propósito continuam envoltos em mistério, o que só aumenta o fascínio dos visitantes.
De regresso à estrada, seguimos viagem rumo ao Castelo de Tintagel, conhecido como o berço do lendário Rei Arthur. As ruínas estão rodeadas por falésias deslumbrantes e paisagens lindíssimas, sempre marcadas pelo verde da vegetação.

Seguiu-se St. Ives, uma encantadora vila costeira conhecida pelas suas praias de areia dourada, águas cristalinas e atmosfera artística vibrante. Ao longo dos séculos, atraiu pintores e escultores inspirados pela luz única da região, tornando-se um centro cultural com galerias renomadas. As ruas estreitas e sinuosas do centro histórico estão repletas de cafés acolhedores, lojas independentes e casas de pescadores pitorescas.

Continuámos até ao St. Michael´s Mount, uma ilha lindíssima ligada ao continente por uma calçada de pedra que emerge durante a maré baixa. Dominada por um castelo medieval imponente e jardins exuberantes, a ilha tem uma história rica que remonta ao século VIII, quando era um local de peregrinação cristã. Ao longo dos séculos, serviu como fortaleza, residência nobre e centro espiritual, envolta em lendas que misturam santos e gigantes.

Golden Cap com os seus 191 metros de altitude, ofereceu-nos vistas panorâmicas sobre o Canal da Mancha e sobre as falésias costeiras esculpidas pelo tempo. O nome “Golden Cap” vem da tonalidade dourada da sua camada superior de arenito, que brilha sob o sol, criando uma paisagem muito bonita.

As Seven Sisters foi o destino final desta viagem de 30 dias por Terras de Sua Majestade, o lugar perfeito para quem gosta do campo e longas caminhadas, pois oferece um trilho com cerca de 16km entre Seaford e Eastbourne.

As Seven Sisters (Sete Irmãs) são um grupo de sete falésias no canal da Mancha. Estas falésias fazem parte do Parque Nacional South Down e têm um comprimento total de quase 22 Km.
Antes de nos despedirmos do Reino Unido, houve ainda tempo para um último ritual que não podíamos ignorar: um chá inglês acompanhado de scones. Escolhemos o Violet’s Tea Room, localizado na estrada entre Hastings e Rye, no sul de Inglaterra, um pequeno refúgio de beleza incomparável e serviço muito acolhedor, um lugar onde o tempo parece abrandar e cada chávena de chá conta uma história.

Sentarmo-nos aqui, rodeados pelos deliciosos scones acabados de confecionar, acompanhados de compota e clotted cream. Mais do que um simples lanche, foi uma despedida doce, um abraço final à tradição britânica que nos acolheu com tanto charme. Para nós, foi saborear, uma última vez, aquele chá fumegante e aquele sabor amanteigado, como quem sela uma memória com gosto e gratidão.
E, foi desta forma, que nos despedimos de mais uma viagem memorável. Ao longo deste mês, entre castelos medievais, falésias dramáticas e aldeias encantadoras, descobrimos muito mais do que paisagens bonitas, redescobrimos o valor de estarmos juntos, partilhando um chá, uma caminhada, ou um olhar cúmplice diante de um pôr do sol.
Explorar o mundo em família é um privilégio. É ver os olhos das nossas filhas brilharem diante de algo novo, é aprender com cada cultura e cada pessoa que encontramos, e é crescer juntos, com cada quilómetro percorrido. O Reino Unido e a Irlanda foram o cenário perfeito para esta aventura, mas o palco principal foi sempre o nosso vínculo — forte, resiliente e cheio de amor.





















